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From Noble Rot to a wild plot: a fireside chat with Julius Roberts

From Noble Rot to a wild plot: a fireside chat with Julius Roberts

Entre cocktails com impacto positivo no clima e o fumo da cozinha a fogo aberto, no Sapling Forest Feast, estivemos à conversa com o chef Julius Roberts sobre agricultura, fama e bebidas espirituosas sustentáveis

  • Texto de: Archie Rutland
  • Fotografia: Joe Short
  • Videographer: Ben Harrill

If, like me, you discovered the seemingly quiet and idyllic life of first-generation farmer Julius Roberts through the lens of his Instagram channel during lockdown, then maybe, like me, you’ve fantasised about leaving the city and “living off the fat of the land.” For those who remember Of Mice and Men from GCSE English (or otherwise) you’ll know that unlike George and Lenny, who could only dream, Julius managed to quit the rat race at the mere age of 22, and swap it for the good life down in leafy Dorset—or so it would seem. Now commanding an Instagram following of 1.3 million people, in the process of buying his own farm and writing a second book, this chef come shepherd isn’t just surviving—he’s thriving.

Numa noite de verão, numa clareira de um bosque denso, a dois passos de Londres, rodeados de tendas tipi e cogumelos, como numa cena de O Hobbit, consigo finalmente apanhar Julius para conversarmos sobre o seu percurso até agora. Surpreendentemente enérgico para quem acabou de preparar uma refeição para 50 convidados numa floresta, sentamo-nos em bancos de madeira junto a uma fogueira crepitante.

Sapling co-founder, Ivo Devereux, addresses the crowd

A vida de chef

Ao recordar a sua antiga vida como chef em Londres, a trabalhar em restaurantes da moda como o Noble Rot, é evidente a nostalgia pela camaradagem — pela operação de estilo militar que se desenrola no calor e no espetáculo da cozinha. «É épico e é um pouco como estar no exército: todos trabalham em conjunto e, se um cai, caímos todos.»

Uma experiência incrível, mas, para Julius, não era um modo de vida sustentável. «Há um fogo e uma energia na cozinha, mas é um trabalho brutal, com turnos de 18 horas, cinco vezes por semana.» Ainda assim, uma das coisas que retirou de toda essa experiência foi o gosto e o interesse pela qualidade dos ingredientes e pela sua proveniência.

Trout baked on cedar wood

«Achava fascinante esta busca obsessiva pelo melhor ingrediente. Os produtores apareciam com lindos caixotes de tomates e extraordinárias ovelhas inteiras aos ombros e contavam-nos como as tinham criado. E isso começou a incutir em mim o amor pela sazonalidade e pela origem dos alimentos.»

Existe uma grande desconexão entre nós, seres humanos, e aquilo que comemos. No início, caçávamos e recolhíamos localmente os recursos que nos rodeavam. Hoje, as prateleiras dos supermercados estão convenientemente repletas de hambúrgueres e salsichas que em nada fazem lembrar a sua origem. Enquanto país, produzimos mais carne de ovino do que aquela de que necessitamos, mas um quarto da que é consumida no Reino Unido provém de animais criados do outro lado do mundo. A maioria das pessoas compra alimentos biológicos porque pensa que são melhores para a saúde, e não porque são melhores para o ambiente. E por aí fora, já se percebe a ideia.

Recomeçar no Suffolk

Quando percebeu que ser chef de restaurante não seria o seu destino final, Julius deixou a vida londrina com a intenção, nas suas palavras, «ingénua e vaga» de se mudar para o campo e tornar-se ele próprio produtor. Um pouco esgotado e desiludido com a cozinha, iniciou esta nova etapa nas planícies de Suffolk, com quatro porcos Mangalitsa felpudos e uma casa de campo degradada. O que começou por ser apenas uma experiência para perceber se conseguiria habituar-se a esta vida de regresso ao essencial e de reconexão com a natureza levou-o a registar momentos com o telemóvel e a partilhá-los no Instagram com familiares e amigos ligeiramente intrigados, ainda antes da era dos influenciadores (no seu habitat natural).

The woodland feast at Nomadic

Mas, em vez de escolher a dedo os melhores momentos e mostrar a paz e a tranquilidade da vida no campo, Julius captou o dilema emocional de criar porcos — criaturas muito mais curiosas e inteligentes do que muitas vezes julgamos — e de criar laços com algo que, em última análise, estava destinado a ser morto. «Fazia estes vídeos, muito ao estilo de um diário, sobre o meu dia a dia com os porcos, a brincar com os meus cães e a falar sobre esta ideia de que podemos amar um animal, mas que ele também pode servir de alimento. Partilhava realmente essa história de forma bastante franca.»

A fama — Instagram e Hollywood

E depois chegou a pandemia, muitas pessoas ficaram confinadas nas cidades e sem poder sair. Com tanta gente a viver indiretamente através dos ecrãs, os vídeos dele começaram a ganhar popularidade. «Houve uma mudança enorme. Era a Páscoa e eu andava a contar histórias, a mostrar cabritos a nascer e a aprender a trabalhar na agricultura pela primeira vez — por alguma razão, aquilo tocou as pessoas.»

O número de seguidores passou de milhares para dezenas de milhares e, depois, para centenas de milhares, à medida que o seu modo de vida, o amor e o respeito pelos seus animais e pelo ambiente que os alimenta encontraram eco em muitas pessoas que ansiavam por um contacto com a natureza.

Olive oil Sapling martinis

E, ao que parece, os seus admiradores chegam até Hollywood. Dan Levy (Schitt’s Creek) veio de propósito de Los Angeles para visitar a quinta e falar sobre a possibilidade de fazer um programa de televisão. «Chega num carro imaculado, conduzido por um motorista, todo aperaltado», conta Julius, entre risos, «e a minha comissão de boas-vindas, composta por cabras, trepa imediatamente para cima do carro, deixando por todo o lado marcas dos seus pequenos cascos.»

Os dois foram dar uma volta pelos campos, mas as coisas não melhoraram muito. «O aroma do aftershave dele era tão intenso que incomodou algumas abelhas, que acabaram por picá-lo.» Nem de propósito.

Guests arriving at Nomadic

As realidades da vida no campo

A agricultura pode ser uma vida extenuante, e a criação de gado é, em grande medida, uma questão de vida ou de morte. «Quando saímos numa manhã de verão paradisíaca e as ovelhas estão tranquilamente deitadas no campo, mas, depois de cuidarmos delas durante dois anos, chega a altura de as levar para o matadouro — é muito duro», diz, fazendo uma careta.

«Há doenças e todo o tipo de problemas graves que os animais podem contrair por viverem ao ar livre. Sair às três da manhã para manter quente um cordeiro com hipotermia, ou ajudar num parto debaixo de granizo fustigado pelo vento — estas são as partes que não se veem. E são os dias mais difíceis que ficam connosco, mas é isso que gosto de partilhar, porque são esses os momentos que tocam diretamente o coração das pessoas.»

Álcool regenerativo e investimento consciente

Mas, apesar das dificuldades e das duras realidades, Julius mantém-se esperançoso — e determinado. O seu percurso não se resume a refugiar-se no campo — trata-se de criar uma forma de viver mais consciente e ligada à comunidade. Não é, pois, de estranhar que tenha decidido estabelecer uma parceria e investir na Sapling Spirits, a marca por detrás do nosso banquete na floresta. Tal como Julius, a Sapling está empenhada em práticas regenerativas — plantando uma árvore por cada garrafa vendida (a 500 001.ª foi plantada nessa noite). Recorrendo a embalagens ecológicas e trabalhando com agricultores britânicos, cultivam trigo de forma regenerativa, aproveitam fruta excedentária e estão a provar que a sustentabilidade e a qualidade podem (e devem) andar de mãos dadas.

Sapling Julius spritz and apricot sour

«Simplesmente fazia sentido», diz-me, enquanto saboreia um cocktail de vodka e laranja sanguínea à luz da lareira. «A filosofia da Sapling põe o ambiente em primeiro lugar e o negócio em segundo. Trata-se de fazer o que está certo e de o fazer bem.» E, na verdade, é precisamente disso que trata The Farm Table. Quer esteja a dar o biberão aos cordeiros durante uma tempestade, a recolher mel de uma colmeia ou a cozinhar lentamente sobre as brasas, há uma integridade discreta em tudo o que Julius faz.

Uma vida à beira-mar

À medida que a noite chega ao fim, conto-lhe como seria a minha vida de sonho. Deixar para trás a rotina desgastante e comprar uma casa de pescador. Viver junto à costa, pescar, mergulhar para apanhar vieiras à mão e cozinhar na praia. É uma versão da vida dele, mas com água e areia em vez de terra. «Há qualquer coisa de primordial em viver do que nos rodeia», diz ele.

Julius mingling with his guests

Fire roasted apricots

Deixo a floresta sem estar propriamente pronto para trocar o meu apartamento por um barco, mas sinto-me inspirado. É um lembrete de que, afinal, a vida moderna não tem de ser tão desligada. As pequenas mudanças são importantes — só por conhecermos e respeitarmos aquilo que comemos, sabermos de onde vem e estarmos ligados ao ambiente que nos alimenta, todos podemos fazer a diferença nas nossas vidas.

Este evento foi organizado pela Good Company em nome da Sapling Spirits na Nomadic Dinners. Para mais informações sobre Julius Roberts, visite o seu site ou a sua página de Instagram.

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