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Carro da semana: Porsche Cayenne Turbo elétrico

Carro da semana: Porsche Cayenne Turbo elétrico

O novo Cayenne Turbo elétrico da Porsche oferece níveis de desempenho dignos de um supercarro, mas será suficiente para convencer os clientes a abandonar os concorrentes com motor de combustão?

Arriscaria dizer que nenhuma das pessoas que tiveram a sorte de conduzir o Porsche Cayenne Turbo GT de 4,0 litros, com dois turbos e 650 cv, saiu do carro a desejar que tivesse mais 490 cv. O expoente máximo do Cayenne com motor de combustão chegou ao mercado em 2022 e cumpria a aceleração dos 0 aos 100 km/h em cerca de três segundos, o que, convenhamos, é mais do que suficiente para um automóvel capaz de transportar confortavelmente uma família. Mas estamos a falar da Porsche e as melhorias de desempenho são, muito simplesmente, obrigatórias em qualquer novo modelo. O que explica perfeitamente por que razão o novo Porsche Cayenne Turbo totalmente elétrico tem a mesma potência que o superdesportivo Valhalla da Aston Martin.

The new electric Cayenne Turbo has supercar levels of performance with 1140 bhp and a 0-62mph time of 2.5-seconds

Mas não se deixe deslumbrar pelos números sensacionalistas dos títulos, porque o que está por detrás deles é, de facto, muito significativo. Em 2002, a Porsche tornou-se o primeiro fabricante a lançar um SUV de alto desempenho. Combinar desportividade com um veículo de tração integral e elevada distância ao solo era uma fórmula invulgar, que os automobilistas demoraram algum tempo a assimilar. Antes do Cayenne, a Porsche praticamente só tinha fabricado automóveis desportivos, mas eis que surgia um desportivo musculado, capaz de enfrentar trilhos acidentados e cheios de sulcos, transportando confortavelmente uma família de quatro pessoas. Hoje, é algo perfeitamente normal, mas no início dos anos 2000 era um produto de nicho.

The original Cayenne Turbo came out in 2002.

Avancemos quase um quarto de século e, diante de mim, no interior do País Basco espanhol, está o próximo grande marco na história do Cayenne: o momento em que o primeiro SUV de sempre da Porsche e o seu segundo automóvel mais vendido passa a ser elétrico. À primeira vista, o modelo Turbo de topo, com um preço de 131 000 libras, é um automóvel de dimensões consideráveis que mantém os elementos de design clássicos do Cayenne, mas apresenta uma postura baixa e robusta, com traços mais vincados e definidos que deixam antever o desempenho colossal que esconde.

The £131,000 Turbo model channels the classic Cayenne design cues but sits squat, with sharper, more defined features

Exclusive to the Turbo are active aeroblades that pop out the sides of the rear bumper when the car clicks past 34 mph.

O Cayenne pode ser configurado com dois pacotes de design exterior: o Pacote Sport Design, com apontamentos em carbono, preto brilhante ou «Turbonite», ou o Pacote Off-Road, de aspeto mais robusto, com carroçaria em preto mate, placas de proteção reforçadas e um para-choques dianteiro mais baixo e recortado, para proporcionar uma maior distância ao solo em condução fora de estrada. Exclusivas da versão Turbo são as lâminas aerodinâmicas ativas, que emergem das laterais do para-choques traseiro quando o automóvel ultrapassa os 34 mph. É um truque cénico, mas a Porsche afirma também que ajuda a aumentar a autonomia do automóvel ao melhorar as características do fluxo de ar.

Embora o Cayenne Turbo elétrico tenha um visual à altura, também dispõe de potência e desempenho suficientes para enfrentar a maioria dos membros do clube dos supercarros. Os grandes destaques são os 1140 cv de potência total e os 2,5 segundos dos 0 aos 100 km/h, o mesmo tempo de aceleração de um Lamborghini Revuelto, de um Ferrari SF90 Stradale e de qualquer um dos Aston Martin Valkyrie ou Valhalla. A escolha é sua.

Mas, na estrada, seria difícil perceber que tem tanta potência debaixo do capô. Gere-a bem e, se necessário, consegue rolar confortavelmente num silêncio quase total. Só quando se carrega a fundo no acelerador no modo Sport Plus é que se sente toda essa potência a ser transmitida à estrada — a aceleração é brutal. Quando conjugado com o sofisticado sistema de suspensão Active Ride da Porsche (uma opção de 6 800 £) — que ajusta continuamente o amortecimento de cada roda de forma independente, mantendo a carroçaria estável em qualquer terreno —, o Cayenne Turbo é uma força da natureza.

Tive o prazer de experimentar esta poderosa combinação de potência e comportamento dinâmico durante uma volta a alta velocidade numa acidentada pista de terra no interior do País Basco, com Timo Bernhard, piloto oficial da Porsche há muitos anos, ao volante. Assim que acelera a partir da linha de partida, agarro-me ao interior revestido a pele do Cayenne. É inútil tentar contrariar as enormes forças físicas que se sentem quando Bernhard lança o Turbo de 2,6 toneladas para mais uma curva impossivelmente apertada. Ainda assim, tudo permanece extraordinariamente calmo e controlado no habitáculo, enquanto o Active Ride absorve a maioria das irregularidades e solavancos, mantendo a inclinação da carroçaria no mínimo. É quase bruxaria, mas mal há tempo para pensar nisso, pois Bernhard envolve o Cayenne numa nuvem de pó ao executar um pião de celebração.

No interior, a maior mudança é a adoção de um «Flow Display» central e curvo, que funciona como ecrã principal para tudo, desde os controlos da climatização ao Apple CarPlay, Android Auto e até videojogos. Num mundo em que os fabricantes pouco se esforçam por integrar os ecrãs nos habitáculos, a Porsche destaca-se pela criatividade e pelo apelo estético do interior.

The focus of the interior is the new curved, central ‘Flow Display’.

Com quase 25 anos de experiência no fabrico de SUV de alto desempenho, não surpreende que o primeiro Cayenne elétrico da Porsche seja um automóvel muito completo. A autonomia anunciada para a versão Turbo de topo é de 387 milhas, o que significa que permitirá realizar facilmente a maioria das deslocações diárias — mesmo com algumas acelerações mais vigorosas, que consomem mais bateria, pelo meio. Tendo em conta as condições de mercado em que o Cayenne elétrico é lançado, a Porsche faz questão de salientar que continuará a disponibilizar a versão elétrica em paralelo com os modelos a combustão e híbridos durante a próxima década.

Agora que há três Cayenne com diferentes motorizações à escolha, será que o desempenho impressionante do Cayenne Turbo elétrico será suficiente para convencer as pessoas a abandonar os modelos de combustão e híbridos? O tempo o dirá.

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