
Will Merrick fala sobre F1: O Filme e as filmagens com Brad Pitt
A antiga estrela de Skins assume um novo e deslumbrante papel em F1 The Movie
- Texto de: Zak Maoui
O filme de Joseph Kosinski, F1 The Movie é o grande êxito de bilheteira deste verão. Com um enorme elenco que inclui Brad Pitt, Damson Idris, Javier Bardem, Kerry Kondon e até o próprio Lewis Hamilton, é uma produção de grande destaque. E conseguir um papel no filme é o tipo de trabalho de sonho para atores em início de carreira.
Will Merrick, que talvez conheça melhor pelo seu papel em Skins e em About Time, de Richard Curtis, teve este golpe de sorte. O ator de 32 anos conseguiu o papel após um encontro fortuito, embora de certa forma planeado, numa festa em Londres, e o resto é, por assim dizer, história. Conviver com Pitt tornou-se habitual durante grande parte de 18 meses, e a estrela de Merrick brilha agora mais do que nunca. Sentámo-nos à conversa com o jovem ator para saber como foi rodar este filme de grande dimensão e trabalhar com aqueles gigantes da indústria cinematográfica...
Gentleman's Journal: Como se sente em relação à estreia do filme?
Will Merrick: Estava sempre a ver o Brad, o Damson, a Kerry e toda a gente, talvez na Cidade do México. Agora estão naquela grande digressão de promoção. E eu pensei: «Ah, está mesmo a acontecer.» Parece-me que está em todo o lado. Na outra noite, estava a mostrar o meu Instagram à minha mãe e disse-lhe: «Olha, mãe, está em todo o lado. Olha para a minha página Explorar», e depois percebi que era o meu algoritmo. Todo o meu algoritmo é F1. Mas é ótimo ver que o filme está mesmo em todo o lado.
Como conseguiu o papel?
Portanto, acho que consegui o papel em abril de 2023. Na verdade, é uma história bastante engraçada. Estava numa festa com bebidas por ocasião da exibição de uma série de televisão, My Lady Jane. Estava num hotel no Soho, no bar com alguns outros atores. Uma pessoa que não reconheci bem aproximou-se de mim e disse: «Olá, Will Merrick. Sou diretora de casting e preciso de falar consigo no corredor agora mesmo», e depois desapareceu. Pensei que fosse uma brincadeira. Passados 15 minutos, voltou e perguntou: «O que é que está a fazer?» E eu respondi: «Quem é você? Não faço ideia de quem seja.» Depois, levou-me para o corredor, até à porta ao lado, e entrei num quarto de hotel vazio, iluminado por lâmpadas fluorescentes. Estava lá a diretora de casting Lucy Bevan, que eu conheço, e explicaram-me que eu estava na lista para este papel. Ali estava eu, um pouco tocado, mas não propriamente bêbedo, e entrei em pânico, a pensar que teria de fazer uma audição naquele preciso momento. Pousei o champanhe e as salsichas de cocktail e conheci Joe Kosinski. Estava acompanhado por Jerry Bruckheimer. Perguntaram-me se gostava de F1 e eu, que na verdade não gostava muito, respondi: «Adoro F1».
Então, conseguiu o papel logo ali?
Não, surgiu uma audição e depois passei dois meses penosos à espera. E depois… consegui o papel. Nunca percebi porque é que eles estavam lá naquela noite, mas, na minha ideia do cinema clássico de Hollywood, se estão num hotel no Soho, é de presumir que estejam a fazer audições para papéis muito mais importantes do que o meu.
Como é que acabou nessa lista?
Nessa altura, eu e a Lucy [Bevan] tínhamos uma boa relação, porque eu tinha feito uma audição para Barbie e estive muito perto de conseguir um papel bastante importante. Em vez disso, ofereceram-me um papel mais pequeno e aceitei-o. Depois, fiz uma audição para Johnny English, mas não consegui o papel. Ainda assim, é óbvio que fiz alguma coisa bem. A Lucy é uma diretora de casting verdadeiramente extraordinária, porque torce por nós e, se nos empenharmos, propõe-nos para mais papéis. Foi graças a ela que consegui este filme.
E então, qual é o seu papel?
Posso dizer-vos que interpreto uma personagem chamada Hugh Nickleby, que é engenheiro de corrida de uma equipa em dificuldades, chamada APXGP, que anda pelos últimos lugares da classificação. Estão um pouco na mó de baixo e no limite em termos de investimento e apoio. Depois, voltam a integrar um piloto veterano na equipa, BP (Brad Pitt). E a história desenvolve-se a partir daí. A minha personagem habituou-se a perder e creio que o filme é sobre reencontrar essa chama e a confiança em si próprio.
Gosta do Hugh?
Sim! Há nele uma serenidade de que gosto. E acho que é bom haver essa serenidade num filme bastante exuberante. Também gosto da relação dele com o Sonny, a personagem do Brad, porque é divertido ver que, ao início, o Hugh tem muito pouca confiança neste tipo e acompanhar a evolução dessa relação.
O que acha que as pessoas vão achar surpreendente no filme?
Perguntam-me muitas vezes: «Como é que fizeram as cenas de condução?» E não são efeitos especiais; ele está mesmo no carro. Está lá dentro; está no carro. Tudo o que se vê está realmente a acontecer. São imagens de uma corrida real — o Grande Prémio de Budapeste, do México ou outro qualquer. São imagens dos carros naquele dia, naquela pista. O Brad e o Damson conduzem na pista a 108 milhas por hora. E acho que muita gente vai ver o filme e pensar que não são eles que estão a conduzir.
Então, conseguiste o papel logo ali?
Não, surgiu uma audição e depois passei dois meses penosos à espera. E depois consegui o papel. Nunca percebi porque estavam lá naquela noite, mas, na minha ideia do cinema à moda antiga de Hollywood, se estão num hotel no Soho, é de presumir que estejam a fazer audições para papéis muito mais importantes do que o meu.
Como é que acabou nessa lista?
Nessa altura, eu e a Lucy [Bevan] tínhamos uma boa relação, porque eu tinha feito uma audição para Barbie e estive muito perto de conseguir um papel bastante importante. Em vez disso, ofereceram-me um papel mais pequeno e aceitei-o. Depois, fiz uma audição para Johnny English, mas não consegui o papel. Ainda assim, é óbvio que fiz alguma coisa bem. A Lucy é uma diretora de casting verdadeiramente incrível, porque torce por nós e, se nos empenharmos, propõe-nos para mais papéis. Foi graças a ela que consegui este filme.
E então, qual é o seu papel?
Posso dizer-vos que interpreto uma personagem chamada Hugh Nickleby, que é engenheiro de corrida de uma equipa em dificuldades, chamada Apex GP, que anda pelos últimos lugares da classificação. E sim, estão um pouco na mó de baixo e quase sem recursos em termos de investimento e apoio. Entretanto, voltam a integrar um piloto veterano, BP (Brad Pitt). E a história desenvolve-se a partir daí. A minha personagem habituou-se a perder e creio que o filme é sobre reencontrar essa chama e a confiança em si próprio.
Gostas do Hugh?
Sim! Ele tem uma serenidade de que gosto. E acho que é bom haver essa serenidade num filme bastante exuberante. Também gosto da relação dele com Sonny, a personagem de Brad, porque é divertido ver o Hugh começar por ter muito pouca confiança neste tipo e acompanhar a evolução dessa relação.
O que acha que as pessoas vão considerar surpreendente no filme?
Perguntam-me muitas vezes: «Como é que fizeram as cenas de condução?» E não são efeitos especiais, ele está mesmo no carro. Está lá dentro; está no carro. Tudo o que se vê está realmente a acontecer. São imagens de uma corrida real — do Grande Prémio de Budapeste, do México ou de outro qualquer. São imagens dos carros naquele dia, naquela pista. O Brad e o Damson conduzem na pista a 108 milhas por hora. E acho que muita gente vai ver o filme e pensar que não são eles que estão a conduzir.
Aprendeu alguma coisa com os profissionais, como o Lewis Hamilton?
O Lewis é verdadeiramente incrível. Um dia, as condições meteorológicas estavam caóticas — ora chovia, ora não. O Lewis é um dos melhores a lidar com condições imprevisíveis. Falei com muitos profissionais que disseram que a forma como consegue interpretar a pista e sentir as zonas secas é quase sobre-humana.
O que aprendeu com os grandes atores?
Na verdade, aprendi que eles vão trabalhar tal como eu vou trabalhar. Ainda não consigo fazer o que eles fazem. Talvez um dia. Mas, no fundo, encaram o trabalho da mesma forma. Decoram as falas e tentam compreender as coisas, encontrar a verdade, torná-las interessantes e descobrir a paixão da personagem. Acho que esperava ver algo diferente, mas observei-os a trabalhar, simplesmente a trabalhar, e fazem o mesmo trabalho. Acabou por ser ainda mais inspirador, porque pensamos: «Meu Deus, são apenas pessoas a fazer o seu trabalho.» Estão simplesmente a divertir-se enquanto o fazem e são de uma gentileza inesgotável. É possível estar no auge, ser generoso com quem está a começar, partilhar os nossos conhecimentos e, ao mesmo tempo, trabalhar arduamente. Isso dissipou qualquer ideia de que é preciso ser uma pessoa difícil ou sobre-humana para chegar ao topo. O Brad é a pessoa mais trabalhadora que alguma vez vi.
Ficou nervoso por trabalhar com eles?
Sim, pá. O Brad era como um holograma. Não conseguia assimilar. Demorei algum tempo a interiorizar que ele era o Brad Pitt.
Como é que isto se comparou, por exemplo, com os filmes anteriores?
Bem, em About Time alugámos uma casa grande e tivemos uma experiência muito descontraída. As pessoas diziam coisas como «experimentamos aquela cena agora?» ou «Que horas são? Bebemos uma chávena de chá?» Havia muito aquele ambiente à Richard Curtis, naturalmente — romântico e um pouco naquela de «ah, sim, totalmente, meu».
A F1 foi muito diferente. Era tudo muito técnico; havia muito para aprender. Tínhamos de conhecer as corridas, a corrida fictícia que, obviamente, não estava a acontecer diante dos nossos olhos, mas também o Grande Prémio real. Passei muito tempo no muro das boxes, no abrigo; é mais ou menos aí que a minha personagem existe, ao computador. Quer dizer, quando se filma com um desporto ao vivo e dentro desse desporto, com carros a percorrerem a pista a cerca de 320 quilómetros por hora, é coisa séria. É mesmo coisa séria. E o desporto foi incrivelmente compreensivo connosco.
Então, em que é que está a trabalhar agora?
Estamos na fase de pré-produção de um projeto que escrevi e que estou a produzir. Por isso, estamos a tentar reunir o financiamento que ainda falta. Estamos a trabalhar na versão mais recente do argumento e a começar a pensar no elenco. Nem sempre soube o que queria fazer e cheguei a pensar que talvez também começasse a realizar um dia. Mas descobri a escrita e acho que escrever e representar combinam muito bem. Adoro o que o Will Sharpe está a fazer, porque consegue conciliar as duas coisas. É um ator fantástico, mas também um argumentista e realizador brilhante. Flowers é incrível. O Craig Roberts também.
Consegues imaginar o que teria acontecido se não tivesses entrado naquela sala nas traseiras do hotel?
É de loucos. Sempre detestei esta ideia de as pessoas dizerem que é tudo uma questão de sorte, porque ouvimos muitas vezes «estavas no sítio certo à hora certa», e eu penso: não, não é nada disso, é tudo fruto de muito trabalho e consistência. E depois aquilo aconteceu e eu fiquei tipo: ah, sim, se calhar é verdade...
Que bons conselhos já recebeste?
Ouvi esta frase de Philip Seymour Hoffman: «Aceita tudo o que te oferecerem. Não torças o nariz a nada, porque tudo o que te oferecem é uma oportunidade para praticares aquilo que fazes.» Gosto muito desta citação porque nos mantém humildes. E, nesta indústria e na profissão que exerço, é muito fácil deixarmo-nos deslumbrar por toda a emoção e por todas as luzes da ribalta.
Sempre quiseste ser ator?
Na escola, nunca me passou pela cabeça que viria a ter uma carreira no ecrã. Pensava que, se me tornasse ator profissional, faria apenas teatro — e não digo isto com qualquer tipo de snobismo, mas era o que achava que acabaria por fazer. Se puder continuar a interpretar personagens interessantes, isso é suficiente para me realizar.
Há alguém que gostasse de interpretar?
Pete Doherty. Acho-o muito interessante. Provavelmente já estou a ficar demasiado velho para o interpretar, caso façam um filme biográfico sobre os Libertines, mas parece ser um tipo adorável.
Fotógrafo: Barley Nimmo
Styling: Nathan Henry
Cuidados pessoais: Charlie Cullen
Assistente de styling: Diego Tarabal
Leia agora uma entrevista com Sagar Radia, ator de Interview
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