
Guia para criar um simulador de golfe por conta própria
Construir um simulador de golfe por conta própria começa por ter espaço, paciência e alguma curiosidade técnica. A recompensa é um canto da casa que parece o seu próprio campo de treino privado, sem vento nem esperas.
- Texto de: Rupert Taylor
Para a maioria dos golfistas, o campo de treino fica invariavelmente ao ar livre, sujeito às condições meteorológicas, aos horários de funcionamento e à ligeira humilhação de falhar uma tacada de saída diante de desconhecidos. A certa altura, geralmente algures entre o terceiro sábado fustigado pela chuva e a quarta partida de empresa, educadamente devastadora para a alma, surge a ideia: talvez o campo de treino pudesse vir até si. A expressão como construir um simulador de golfe caseiro aparece no seu histórico de pesquisa e, quando dá por isso, está numa garagem, a medir o teto com a seriedade solene de um fiscal de obras.
É aqui que a fantasia tem de se aliar à engenharia. Um simulador de golfe doméstico não é apenas uma rede, um tapete e otimismo cego. Quando bem concebido, é um pequeno palco de violência controlada. As bolas são lançadas a uma velocidade considerável, muito perto de móveis, janelas, equipamentos tecnológicos e pessoas com quem afirma importar-se. O objetivo, portanto, não é apenas recriar a experiência de jogar no campo. É fazê-lo com cuidado e perícia suficientes para que os vizinhos nunca tenham de intervir.
Requisitos do Espaço | O Ministério do Espaço
Antes de comprar uma única peça de equipamento, tem de ter em conta a geometria. A sala não é um mero cenário neutro. É cúmplice.
A altura do teto é o primeiro aspeto a considerar. É necessário ter espaço suficiente acima da cabeça para balançar o taco mais comprido sem correr o risco de se decapitar ou de fazer cair pó do reboco. Para a maioria dos jogadores, um teto com cerca de nove pés é o mínimo indispensável. Dez ou onze pés proporcionam maior conforto e toleram melhor movimentos de backswing um pouco mais entusiásticos. Os jogadores mais altos e aqueles que têm um movimento particularmente vertical devem optar por uma altura mais generosa.
A largura é a condicionante seguinte. Não se trata apenas de garantir que cabe no espaço; é também necessário ter em conta a trajetória da bola, o percurso do taco e aquela ocasional e espetacular bola desviada pelo calcanhar do taco. Um espaço com cerca de três metros de largura começa a ser confortável. Permite-lhe posicionar-se ao centro, bater na direção de uma tela de impacto e ainda dispor de espaço suficiente de ambos os lados para instalar redes laterais. É possível utilizar um espaço mais estreito, mas poderá acabar por praticar uma versão bastante limitada do seu jogo habitual.
A profundidade é igualmente importante. É necessário haver espaço entre a bola e o ecrã, bem como entre a bola e a parede traseira. Se for insuficiente, o espaço parecerá apertado. Deixe uma distância confortável entre a posição de batida e o ecrã de impacto, para que a bola tenha tempo de voar e o monitor de lançamento disponha de espaço para a observar. Atrás de si, mantenha uma distância suficiente para que o movimento de backswing não embata numa parede, num carro ou numa coleção de objetos com valor sentimental que preferia não partir.
Tenha em conta se os jogadores são destros ou esquerdinos. Se for esquerdino, ou se o simulador for partilhado por jogadores destros e esquerdinos, a zona de batida deve ser posicionada de modo a servir ambos. Isto influencia a localização do ecrã, do tapete e de qualquer monitor de lançamento que fique ao lado do jogador, em vez de atrás dele. É preferível resolver esta questão no papel do que descobrir, com um wedge na mão, que a bela estrutura que construiu está otimizada exclusivamente para outra pessoa.
A iluminação também é importante. A divisão precisa de luz suficiente para conseguir ver os tacos e a sua postura, mas não tanta que torne a imagem projetada esbatida. O ideal é ter iluminação regulável ou por zonas. Os focos no teto junto ao ecrã podem ter a intensidade reduzida, enquanto as luzes junto à zona de tacada podem manter-se fortes. Cortinas ou estores que eliminem os reflexos da luz exterior não são um luxo. Fazem parte do sistema.
Ingredientes essenciais | O armário dos componentes
Assim que tiver uma divisão que não o ponha em risco, pode começar a reunir os elementos que farão com que a experiência se assemelhe ao golfe, em vez de a um exercício de campo. Todos os simuladores, dos mais luxuosos aos mais improvisados, assentam em alguns componentes essenciais.
Primeiro, um monitor de lançamento. Esta discreta caixa é o serviço secreto silencioso da instalação. Acompanha o taco e a bola no momento em que se separam, mede a velocidade, a rotação e o ângulo e, em seguida, transmite os dados ao software. Alguns são colocados atrás de si e utilizam radar; outros ficam à frente ou de lado e utilizam câmaras de alta velocidade. O posicionamento não é facultativo. O equipamento deve ficar onde o fabricante determinou, à distância e à altura corretas, sobre uma superfície estável. Encare as instruções como regras a cumprir, não como meras sugestões.
Em segundo lugar, uma tela de impacto ou uma rede. Uma boa tela de impacto para golfe foi concebida para absorver impactos repetidos a alta velocidade sem se rasgar, desfiar ou comportar como um trampolim. Também funciona como ecrã de cinema para a imagem projetada. Uma rede simples pode ser mais barata e silenciosa, mas não proporciona o prazer cinematográfico de ver a trajetória da bola projetada sobre um campo, em vez de num monitor a um canto. Muitas pessoas combinam ambas as opções, colocando uma tela à frente e uma rede por trás e em redor, como proteção adicional.
Terceiro, um tapete de treino. É aqui que as suas articulações serão protegidas ou discretamente prejudicadas. Os bons tapetes oferecem resistência suficiente para dar a sensação de relva, sem o impacto seco do betão que transforma o treino numa sessão de fisioterapia. Devem permitir a colocação de um tee, assentar de forma plana e integrar-se harmoniosamente no pavimento escolhido para a área envolvente. Idealmente, a superfície entre a bola e o ecrã deve formar um plano contínuo. Assim, qualquer bola que regresse pelo chão fá-lo-á de forma previsível e sem pôr os tornozelos em risco.
Em quarto lugar, um sistema de visualização. A opção mais imersiva é um projetor de curta distância, montado no teto ou atrás do jogador e cuidadosamente alinhado para que a imagem preencha a tela de impacto sem distorção. Isto exige um trabalho meticuloso ao nível dos suportes, das distâncias e do alinhamento, mas o resultado é verdadeiramente envolvente. Em instalações mais modestas, um televisor de grandes dimensões ou um monitor colocado em segurança de um dos lados pode cumprir perfeitamente a função. Bate a bola contra a tela ou a rede e depois olha para o lado para acompanhar a trajetória virtual da bola.
Quinto, um computador, portátil, ou uma consola com o software do simulador. É o diretor de cena invisível. Recebe os dados do monitor de lançamento, calcula a tacada, representa o campo e gere toda a pontuação e os modos de treino. A combinação exata de hardware e software dependerá do monitor de lançamento escolhido, mas a regra é sempre a mesma. Deve ter potência suficiente para acompanhar o ritmo, estar ligado de forma organizada e ser colocado num local acessível, sem ter de andar a rastejar pelo chão entre tacadas.
Planear o Espaço | Do Esboço à Realidade
Depois de compreender o espaço e os componentes, a etapa seguinte é a coreografia. É necessária uma disposição em que tudo funcione em conjunto.
Comece por fazer um plano simples. Assinale no papel onde ficará pendurado o ecrã, onde se irá posicionar, onde ficará o monitor de lançamento e onde será instalado o projetor ou o televisor. Meça cuidadosamente as distâncias. Pense no percurso dos cabos entre o monitor e o computador, entre o computador e o projetor e entre as tomadas elétricas e todos os equipamentos. O objetivo é evitar o perigo clássico dos simuladores: uma bela estrutura rodeada por um emaranhado de fios que mais parece uma experiência de saúde e segurança não declarada.
Delimite a zona de batimento. Imagine-se de pé sobre o tapete, a olhar para o ecrã. Certifique-se de que não há nada importante no seu campo de visão periférico que possa distraí-lo ou ser atingido pela cabeça do taco num movimento descontrolado. Pilares, estantes, candeeiros e automóveis já sofreram danos em instalações mal planeadas. O simulador não é o local indicado para guardar aquilo que realmente estima.
Tenha em conta o ruído. O impacto de uma bola num ecrã, numa garagem de betão, pode produzir um som digno de um pequeno exercício militar. O isolamento do teto, as alcatifas, os painéis de parede e até os estofos ajudam a absorver o som e a tornar a experiência menos assustadora para quem estiver no piso de cima. A sua popularidade em casa pode depender disso.
Por fim, pense na ventilação e no conforto. Poderá estar a praticar o swing durante uma hora ou mais de cada vez. Uma divisão que, ao início, parece acolhedora pode rapidamente tornar-se sufocante. Uma pequena ventoinha, uma janela aberta ou ventilação controlada não são um luxo. É o que distingue uma sessão de treino satisfatória de uma sala de fuga.
Construir o Recinto | Conter a Bola e o Ego
Quando o plano parecer convincente no papel, pode dedicar-se à estrutura que manterá a bola sob controlo.
A maioria dos simuladores domésticos utiliza uma estrutura simples feita de tubos metálicos ou um recinto pré-fabricado. O objetivo é criar uma estrutura retangular rígida, ligeiramente afastada da parede, que sustente a tela de impacto à frente e as redes nas partes laterais e superior. A própria tela é fixada sem demasiada tensão, geralmente com cordas elásticas, para que possa deformar-se com o impacto em vez de se comportar como um tambor.
As redes laterais são indispensáveis. Mesmo os golfistas experientes dão ocasionalmente uma tacada que acerta nas extremidades laterais da face do taco. As redes que se prolongam bastante para a esquerda e para a direita e, idealmente, também por cima, irão intercetar estas bolas desviadas e impedir que atinjam paredes, candeeiros ou cônjuges que estejam a passar. Nos pontos de contacto entre a rede e a estrutura, coloque material de proteção. Tubos de espuma ou revestimentos de tecido amortecerão qualquer bola que atinja uma extremidade.
As transições entre o chão e a tela são frequentemente negligenciadas. Se houver uma abertura na parte inferior, as bolas podem passar por ela e fazer ricochete na parede atrás da tela, regressando com muito mais ímpeto do que seria desejável. Certifique-se de que a tela se sobrepõe ao chão ou fica imediatamente à frente de uma barreira baixa, para que todas as bolas sejam retidas.
Depois de construída, entre na estrutura e imagine as piores tacadas que alguma vez deu. Se conseguir identificar um percurso plausível por onde a bola possa escapar, o seu trabalho ainda não está concluído.
Instalação da superfície | Relva sintética, tapetes e juntas
O piso do simulador desempenha várias funções em simultâneo. Define o ambiente visual, protege a divisão, amortece cada pancada e controla o comportamento de qualquer bola que não fique no ecrã.
Comece pelo tapete de batida. Deve estar nivelado, fixo e à face com qualquer relva sintética circundante, para que não haja qualquer rebordo que interfira com a sua posição. Se o sistema for utilizado por jogadores esquerdinos, considere colocar um tapete de apoio de cada lado. O objetivo é permitir ambas as orientações sem ter de arrastar tapetes de um lado para o outro, como um contrarregra, entre tacadas.
Em redor da zona de batimento, encontra-se relva artificial ou alcatifa densa, desde o tapete até à base do ecrã. Isto cria uma superfície verde contínua, amortece os ressaltos e dá a sensação de estar num fairway, em vez de num armazém. Por baixo, uma base adequada pode reduzir o ruído e proporcionar maior conforto ao caminhar.
Se o simulador estiver instalado num espaço polivalente, por exemplo, numa garagem onde ainda se estaciona um automóvel, poderá optar por um pavimento modular que possa ser removido ou reorganizado. Certifique-se apenas de que a solução escolhida não escorrega, não forma vincos nem apresenta riscos de tropeçar quando estiver totalmente concentrado naquela delicada tacada com o wedge.
Integrar a tecnologia | Dados, luz e ilusão
Com o espaço físico montado, pode introduzir a eletrónica. É aqui que o simulador deixa para trás a simplicidade da rede e do ecrã e se transforma em algo mais próximo do teatro.
O monitor de lançamento deve ser posicionado exatamente como previsto pelo fabricante. As unidades de radar atrás do jogador precisam de ter uma visão desimpedida da trajetória da bola. As unidades com câmaras à frente ou de lado devem ficar alinhadas com precisão em relação à sua posição de batida. Não tenha pressa nesta etapa. Alguns centímetros na direção errada podem transformar uma ferramenta de treino extremamente precisa num aparelho que se limita a dar palpites com entusiasmo.
O posicionamento do projetor é um exercício de obsessão discreta. Deve preencher o ecrã de impacto sem distorção, evitar projetar sombras durante o swing e ficar protegido de movimentos de recuo e bolas desviadas. É comum montá-lo no teto, à frente do jogador. Os modelos de curta distância podem ficar mais perto do ecrã, o que reduz as sombras. Depois de fixado, utilize os controlos do projetor para alinhar a imagem com o ecrã e ajustar a focagem.
Ligue o monitor de lançamento ao computador, instale o software necessário e selecione um modo simples de campo de treino. Dê algumas tacadas suaves e observe o que acontece. A bola deve sair do taco no mundo real e, quase de imediato, iniciar o seu voo virtual no ecrã. Se a trajetória lhe parecer estranha em relação ao que sentiu, volte a verificar os alinhamentos e as calibrações antes de concluir que começou subitamente a fazer slices de 55 metros.
Coloque o computador ou a consola num local onde consiga aceder aos controlos entre tacadas sem ter de se contorcer. Alguns jogadores preferem uma pequena mesa de apoio com rato e teclado. Outros preferem utilizar um tablet como comando à distância. O importante é manter o controlo do simulador sem ter de passar por cima de cabos nem mudar os móveis de lugar.
Afinação, segurança e bom senso | A revisão final
Assim que o sistema estiver a funcionar, resista à tentação de declarar vitória de imediato. Um simulador beneficia de um período de afinação tranquila.
Convide um amigo cujo swing seja diferente do seu. Observe para onde vão as bolas quando não são bem batidas. Ajuste as redes e o acolchoamento nos pontos em que a realidade contraria o seu otimismo inicial. Preste atenção ao som dos impactos em toda a divisão. Se certas superfícies ressoarem como pratos, acrescente materiais macios até deixarem de o fazer. Observe até onde as bolas rolam de volta em direção à zona de batimento e tome medidas relativamente às que regressarem com mais velocidade do que considera aceitável.
Estabeleça algumas regras da casa. Nada de swings completos com convidados pouco familiarizados com o espaço sem antes lhes dar uma breve explicação. Não pratique quando crianças pequenas ou animais de estimação possam entrar na linha de tiro. Nada de bebidas pousadas precariamente em cima do computador. Pode parecer um pouco absurdo definir regras de comportamento para uma zona de treino na sua garagem, mas também o é ter de explicar uma janela partida à sua seguradora.
Por fim, seja honesto quanto ao objetivo do simulador. Não é apenas um brinquedo. Quando bem concebido, é um espaço de treino. O sistema fornece-lhe dados a que nunca tem acesso no campo de treino e a oportunidade de corrigir problemas relacionados com a trajetória do taco, o ângulo da face e o contacto com a bola, com toda a tranquilidade e privacidade. Se o tratar com respeito, fará de si um melhor golfista. Se o encarar como uma novidade, fará de si uma daquelas pessoas que falam do handicap no simulador de golfe em casa num tom de trágica nostalgia.


