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Em sintonia com o lado musical de Charles Leclerc

Em sintonia com o lado musical de Charles Leclerc

O piloto de Fórmula 1 da Ferrari fala sobre música e Chivas Regal

Charles Leclerc está habituado a um estilo de vida a alta velocidade. Enquanto piloto principal de Fórmula 1 da Ferrari, posição que ocupa desde 2019, quando se juntou à equipa para correr ao lado de Sebastian Vettel, está praticamente sempre em movimento. Quando o piloto monegasco não está a competir, está a treinar. Quando não está a ganhar (venceu oito Grandes Prémios ao longo de sete temporadas e tornou-se o segundo piloto de Fórmula 1 a vencer em casa, depois de o seu compatriota Louis Chiron o ter feito em 1931), está a pensar em ganhar. «Nunca esperei chegar onde estou hoje», disse-nos Leclerc para a edição de verão de 2024, na reportagem de capa da Gentleman’s Journal. «O meu pai lembrava-me sempre de como seria difícil e também de como seria improvável.»

Mas, longe das boxes e do ruído da Fórmula 1, Leclerc também quer que os seus fãs conheçam o outro lado da sua vida. É raro falar em profundidade sobre a sua vida pessoal, já que, normalmente, os entrevistadores estão apenas interessados na sua carreira recordista na Fórmula 1. Contudo, fora do lugar do piloto, Leclerc procura abrandar e tirar o pé do acelerador. É uma vida, diz, tão afastada quanto possível das pistas. «Tenho poucas oportunidades para desligar, por isso aproveito-as ao máximo», explica através do Zoom.

Para além de passar tempo com os seus entes queridos e com o seu novo cachorro, Leo — «um amigo meu tinha um dachshund que teve crias e, como sabia que eu adoro cães, um dia surpreendeu-me no meu aniversário com um dos cachorrinhos» —, Leclerc é louco por fazer música. «Acho que, de certa forma, é bastante melancólica», diz sobre a sua música, enquanto faz uma pausa de 15 minutos no treino. «Tento sempre expressar aquilo que sinto naquele momento específico. Todas as músicas que faço têm o nome de uma corrida e são, geralmente, uma tentativa de descrever o que sinto em relação a determinada corrida. Pode ser difícil, claro, porque não sou muito bom tecnicamente.»

Leclerc é pianista autodidata desde a pandemia de Covid, quando foi obrigado a interromper a atividade profissional que tanto adora. «Passava imenso tempo em casa e não estava propriamente habituado a isso», conta. «Os treinos continuavam a ocupar grande parte do meu dia, mas, a certa altura, começaram a tornar-se um pouco repetitivos e eu ainda tinha muito tempo livre, por isso comprei um piano.» Durante a infância, sempre tivera um piano em casa, pois o irmão mais novo, Arthur Leclerc, que também é piloto de Fórmula 1, praticava. «O que comprei era um piano plug and play, mas entretanto troquei-o por um muito bom: um Steinway.»

Leclerc, porém, não faz música apenas para si próprio. Durante a pausa entre temporadas e entre corridas, tem dedicado tempo a aperfeiçoar esta paixão. «Costumava partilhar a minha música nas histórias do Instagram e, a certa altura, as pessoas começaram a pedir que a lançasse, porque tinham de ver as histórias vezes sem conta para a ouvir.» Uma pesquisa rápida pelo seu nome no Spotify permite encontrar as suas faixas, que, como referiu, têm nomes como «AUS23(1:1)» e «MIA23(1:2)», inspirados nas suas corridas. Desde 2023, lançou nove temas, dois dos quais recentemente, antes do início da nova temporada. «Adoro música», afirma. «A música é uma parte importante da minha vida fora das corridas e é uma forma de me desligar e descontrair. A minha vida é agitada, estou sempre a viajar e raramente tenho tempo para mim. Para quem vê de fora, pode ser um pouco surpreendente ver um piloto de Fórmula 1 a tocar piano, mas, sinceramente, faz sentido — pelo menos para mim — e quero partilhar esse meu lado com as pessoas.»

Leclerc também se dedica, por mais surpreendente que possa parecer, à arte de produzir bebidas alcoólicas. Tornou-se o novo embaixador da marca escocesa Chivas Regal, numa parceria que celebra «a concretização de objetivos pessoais e a criatividade». Para assinalar o lançamento da parceria, Leclerc irá organizar um espaço temporário em Melbourne. O piano-bar, que reflete o seu amor pela música, chamar-se-á «Leclerc’s» e estará aberto a partir de 11 de março, por ocasião da prova inaugural da próxima temporada do Grande Prémio da Austrália, unindo os mundos da música e do whisky — duas experiências que Leclerc quer partilhar com os seus fãs.

«Quando fui a Strathisla, a destilaria da Chivas Regal, criámos juntos um cocktail», conta, explicando que será servido no Leclerc’s. «Estava com um mestre de lotes, que foi juntando um pouco de tudo. É uma espécie de engenheiro. Leva açúcar, cordial de flor de sabugueiro, sumo de lima, champanhe, Chivas Regal e um raminho de hortelã.»

A parceria com a Chivas Regal também fez sentido para Leclerc, porque a marca acredita que se deve brindar tanto às derrotas como às vitórias. Leclerc explica que também começou a fazê-lo. Tanto a Chivas Regal como Charles partilham a mesma filosofia em relação à celebração do sucesso: não se trata apenas das grandes vitórias, mas de cada passo dado ao longo do caminho. «Vejo isso como uma oportunidade para aprender, e não como uma derrota em si», afirma. «Acho que há sempre uma oportunidade para melhorar e temos de ver o lado positivo. Mesmo nos momentos mais difíceis, porque às vezes as coisas não correm como queremos, reconhecemos a oportunidade de melhorar. Levo esta mentalidade para tudo o que faço. Mal posso esperar para ver o que o futuro me reserva e espero que seja uma época incrível.»

Agora, leia uma entrevista com o piloto de Fórmula 1 Oscar Piastri

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