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Ray Holman, figurinista de Rivals, fala sobre como aperfeiçoou o estilo dos anos 80

Ray Holman, figurinista de Rivals, fala sobre como aperfeiçoou o estilo dos anos 80

A figurinista explica como a inspiração encontrada em livros e revistas antigos influenciou os figurinos de Aidan Turner e David Tennant

Um enorme sucesso do Disney+, baseado no romance homónimo de Jilly Cooper, publicado em 1988, Rivals é uma série sobre grandes ambições no mundo dos média, sobretudo na produtora fictícia Corinium, penteados ainda maiores e calças maiores ainda.

Com um elenco excecionalmente bem escolhido pelos produtores (entre os quais Felicity Blunt), que inclui David Tennant, Aidan Turner, Emily Atack, Danny Dyer, Victoria Smurfit, entre outros, era essencial contar com um dos melhores figurinistas da indústria para caracterizar cada personagem de forma única, respeitando os códigos dos anos 80. Ray Holman era a pessoa certa para o trabalho, tendo sido responsável pelo guarda-roupa de Doctor Who, Broadchurch e Fleabag.

O guarda-roupa, a par da representação e das reviravoltas do enredo, é o que torna esta série tão especial. Evoca nostalgicamente o final dos anos 80, quando a Grã-Bretanha vivia a sua época dourada, e oferece-nos um vislumbre da alta sociedade dos Cotswolds. Temos Tennant em fatos de executivo dignos de um anúncio vintage da Armani, enquanto se agarra ao trono, e depois Nafessa Williams, que dá ao vestuário de sala de reuniões um toque americano moderno e sensual. Emily Atack (quando está vestida) é a dona de casa preferida de todos os homens, enquanto Lizzie Vereker é a esposa apagada, mas muito ambiciosa.

We sat down with Holman to discuss how he brought the characters, from David Tennant's Tony Baddingham, the station controller at fictional Corinium, to Aidan Turner's Declan O'Hara to life with realism.

Por onde começou a procurar inspiração?

Consultámos materiais originais da época, o que implicou recorrer à minha coleção de revistas, incluindo a Vogue, a Cosmopolitan, a The Face, a ID e várias revistas de decoração que tenho na minha coleção. Consultámos também muitos livros sobre moda e etiqueta, como The Gentleman, que dei à minha equipa para ler durante as filmagens. Recorremos a bibliotecas, à Internet e a publicações especializadas em acessórios. Tenho uma vasta coleção de livros e revistas sobre guarda-roupa, que comecei a reunir quando comecei a trabalhar, em 1984. Também imprimimos imensas imagens dos anos 80 e cobrimos com elas as paredes do escritório, para podermos transmitir aos atores, realizadores e executivos o ambiente da época. Além disso, examinámos as coleções originais de todas as empresas de aluguer de guarda-roupa para ver o que havia e estava em bom estado. Alugámos tudo o que fosse relevante para os nossos guiões e ainda pudesse ser usado, sobretudo pelos figurantes, pois o universo de Rivals é densamente povoado.

Até que ponto seguiu fielmente o livro no que diz respeito à caracterização das personagens?

We partly followed the book, that was our original source reference point but also were led by the scripts and our lovely executives would guide me about what we really wanted to reference from the book, so there is direct reference throughout, and we also added and interpreted some things to suit our actors in character.

Que personagens foram mais divertidas de vestir?

Para ser sincera, foi tudo muito divertido, mas adorámos desenhar, copiar e reproduzir muitas das roupas das mulheres, sobretudo as usadas em festas e eventos. Adoro alfaiataria e foi fantástico trabalhar com o nosso alfaiate, Chris Kerr, nos fatos por medida e de pronto-a-vestir para os homens ao longo da série. As malhas têm um papel importante no livro e foi ótimo encontrar peças que pudessem ser usadas no nosso programa Cotchester Round Up dentro da série. Também criámos algumas peças específicas, como a camisola com um coelhinho para Daysee, as camisolas de mohair e a da nossa apresentadora da meteorologia, que acrescenta um toque de humor à história; estas peças foram feitas para nós no País de Gales pela Corgi Knitwear. Adorei vestir Cameron (para quem encontrámos muitas peças originais de criadores que pudemos usar), mas também gostei igualmente de criar o guarda-roupa de Tony para David Tennant, todo feito por medida.

All the characters are so different and clearly defined that there was pleasure in dressing them all.

De que forma é que o vestuário de Declan O'Hara, a personagem de Aidan Turner, ajuda a retratar a sua personalidade?

Declan, played by Aidan starts our series working for the BBC, a ready-made suit in grey, his personal clothes are masculine, unpretentious and a nod to working fabrics with the corduroy jacket, Irish tweed jackets and check shirts. By the time he’s presenting his show at Corinium he’s wearing a bespoke suit (from original 80’s fabric) and his characteristic yellow socks from the book. So, he has clearly defined lines between his on-screen persona and his off screen through the clothes he wears.

And what about David Tennant's character and then Danny Dyers?

Tony, interpretado por David Tennant, é descrito no livro como um admirador de Bugsy Malone, inspirando os seus fatos nos modelos de risca de giz do filme, com um estilo ligeiramente gangster, agressivo, mas simultaneamente feito à medida e dispendioso. Sente-se inseguro quanto ao seu estatuto e usa de tudo, incluindo alfinetes de gravata, botões de punho e ligas para as mangas — para Tony, quanto mais, melhor.

Freddie, interpretado por Danny Dyer, também se fez a si próprio. É inteligente e o seu guarda-roupa combina as peças que Valerie lhe compra com os fatos de trabalho ligeiramente brilhantes que precisa de usar em reuniões. Sabe do que fala quando o assunto é tecnologia. Adoro os seus polos da época, confecionados em tecidos modernos, e o seu relógio digital. É uma pessoa genuína, equilibrada e carinhosa, e isso transparece na forma como se veste.

Houve algum desafio relacionado com os figurinos?

Os desafios passaram por acertar na paleta de cores e no ambiente da série. Queríamos cor, mas não cores primárias; queríamos ombreiras, mas apenas quando fossem necessárias; e, acima de tudo, eu queria que tudo tivesse os pés bem assentes na terra. As nossas personagens vivem nos Cotswolds e vão desde um lorde e uma lady até à família que os atende, limpa a casa e os serve, sem esquecer os funcionários da estação de televisão. Outra coisa de que precisava era que tudo parecesse natural, sobretudo no caso de Rupert, e que todos aparentassem estar à vontade. Espero que os figurantes consigam precisamente isso: retratar a época sem darem demasiado nas vistas. Cada episódio tem um «grande evento» diferente, o que foi realmente desafiante, pois são todos muito variados: desde a festa no jardim até ao debate final, passando por um concurso de beleza. Creio que conseguimos torná-los a todos devidamente distintos, sem deixarem de ser muito britânicos.

What did you enjoy most about doing the Rivals costumes?

I enjoyed revisiting my 20’s while doing Rivals, I lived it and so it was a great privilege to represent it through a modern lens and I really enjoyed the broad range of costumes we were able to explore from the television workers at Corinium to the hunt and the Spanish episode.

How did you source the watches? And what does each one say about the characters?

A resposta a esta pergunta é longa. Tenho uma grande amiga chamada Natalia Georgiadou, especialista em serviços de guarda-roupa para produções. Ela pôs-me em contacto com a Omega e a Longines, que se mostraram muito disponíveis para ajudar e enviaram da Suíça uma seleção de relógios para usarmos. A principal preocupação era que os modelos já existissem na época retratada ou antes dela. Fizemos o mesmo com os óculos de sol, e a Ray-Ban ajudou-nos imenso. Lord Tony Baddingham (David Tennant) usa um relógio vistoso, enquanto Rupert Campbell-Black (Alex Hassell) usa um Longines com bracelete de couro, discreto, mas claramente caro e de bom gosto.

Lizzie Vereker (Katherine Parkinson) comprou o seu relógio Omega como presente para si própria quando o seu primeiro romance foi publicado e adora-o. Declan O’Hara (Aidan Turner) tem um «relógio pessoal» e um «relógio para exibir»; este último tem um aspeto um pouco mais vistoso e masculino.

Freddie Jones (Danny Dyer) tem um relógio digital Timex dourado que revela o seu gosto pela tecnologia e por tudo o que é futurista, mas é revestido a ouro como símbolo de riqueza recente. Lady Monica Baddingham (Claire Rushbrook) tem um «relógio de dia», um antigo relógio militar da Rolex da Primeira Guerra Mundial, e o seu «relógio de cerimónia» é uma peça eduardiana em ouro rosa, com incrustações de madrepérola. Ambos pertencem à minha coleção e refletem tanto o seu gosto por antiguidades como a sua infância no seio de uma família abastada há várias gerações.

Charles Fairburn (Gary Lamont) usa muito provavelmente o relógio do pai, que não é assim tão antigo, mas que lhe traz conforto, sobretudo por estar a cuidar da mãe, que sofre de perda de memória. James Vereker (Oliver Chris) tem um relógio dourado e vistoso, tal como ele; é apenas um pouco vaidoso…

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