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«Quem sabe criar conteúdos tem o poder» — Caspar Lee

«Quem sabe criar conteúdos tem o poder» — Caspar Lee

O fundador, criador e investidor de capital de risco fala sobre influenciadores, abandonar o YouTube e o poder de contar histórias

Caspar Lee começou na banheira. O primeiro vídeo que publicou na sua recém-criada conta do YouTube, em 2010 — o dominó cósmico que, de muitas formas, pôs em marcha tudo o que se seguiu — mostrava-o a comparar, por razões que hoje nem os estudiosos conseguem explicar, as vantagens dos banhos de imersão e dos duches. Mais concretamente, segundo parece recordar-se agora, colocava a questão: «Qual deles dói mais?» — suscitando a inevitável resposta: Acho que não os estás a fazer como deve ser.

Sentado agora na sala de reuniões dos escritórios londrinos da Influencer, uma das suas várias empresas, Caspar reflete sobre os momentos de estranha serendipidade que o trouxeram até aqui. Como quando um amigo inundou de cliques aquela sua primeira conta de adolescente no YouTube, levando os responsáveis a eliminá-la — o que fez com que criasse uma nova do zero, desta vez com vídeos que realmente resultavam. Ou quando foi impedido de participar numa digressão escolar de hóquei na sua África do Sul natal por ter bebido uma ou duas cervejas — e acabou por ficar com duas semanas livres para ir a Londres e colaborar com um grupo de outros jovens YouTubers. «Sem esses momentos, provavelmente não estaria hoje aqui sentado», diz agora, entre risos.

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Esse primeiro vídeo foi publicado a 16 de setembro de 2010 — cerca de cinco anos após o aparecimento do YouTube. Desde então, ao longo desta década e meia, fomos todos sendo cozidos em lume brando, como sapos, no grande caldeirão dos conteúdos, pelo que vale a pena recordar como essa época era diferente. O Instagram só surgiria dois anos mais tarde. O termo «influenciador» ainda não tinha sido cunhado. A função de vídeo da maioria dos telemóveis era tão rudimentar que se tornava praticamente inútil. E quase ninguém falava de algoritmos ou viralidade.

Os YouTubers que tinham mais sucesso nessa altura eram aqueles cujos vídeos ainda pareciam encantadoramente caseiros — muitas vezes, adolescentes a falar diretamente para a câmara nos seus quartos ou a competir em desafios divertidos com outros YouTubers. (Ao que parece, ajudava que todos tivessem volumosas cabeleiras loiras de aspeto angelical.) Hoje, poderíamos atribuir esta forma embrionária de viralidade a uma espécie de apelo «parassocial» — o mesmo impulso que, dizem-nos agora com toda a seriedade, está por detrás da ascensão dos podcasts e das transmissões em direto.

«Ficava com o estômago às voltas antes de cada entrevista...»

Quando fez 18 anos, menos de dois anos depois de ter começado, Caspar já tinha acumulado vários milhões de seguidores. Nos seus vídeos mais vistos, entrevistava celebridades num ambiente descontraído e cativante (antecipando, talvez, formatos como Chicken Shop Date e Hot Ones e, sem dúvida, muitos outros formatos de entrevistas inspirados em aves de capoeira). «Hoje em dia, as celebridades colaboram sempre com criadores de conteúdos», afirma, «mas, naquela altura, era muito difícil convencê-las. A piada era eu achar que eram minhas amigas, quando, claro, não eram», explica. «Pareceu-me uma forma natural e divertida de o fazer, e foi por isso que esses vídeos tiveram tanto sucesso.» Ed Sheeran, Dwayne Johnson, Justin Timberlake e Kevin Hart passaram todos pelo seu canal entre o início e meados da década de 2010. «Ficava com o estômago às voltas antes de cada entrevista», admite agora, mas os vídeos acumularam milhões de visualizações — talvez, em parte, porque é possível ver no ecrã algum desse nervosismo genuíno. Caspar calcula que ganhou o seu primeiro milhão por volta dos 21 anos. («Foi uma loucura.») Alguns anos mais tarde, em 2018, deixou por completo de fazer vídeos. Filmar e publicar quase todos os dias, diz, era «muito intenso. É preciso estar constantemente em cima do acontecimento.»

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Today, Caspar is the co-founder of three successful businesses, each informed by this early experience as a content creator. Influencer.com is a marketing agency for, well, influencers, which was set up by Ben Jefferies and Caspar in 2017. The company acts as a powerful, tech-driven intermediary between brands and creators, and currently has around 180 team members spread between offices in London, New York, Berlin, Saudi Arabia, Dubai, and Amsterdam.

The word “influencer”, Caspar admits, is not a particularly straightforward one. “I would say we work with creators to drive influence,” he says of the company now. “And yes, someone who calls himself an influencer — it generally makes me think of people on the beach taking photos,” he says, although he thinks the peculiarly strong animosity to the profession is fuelled in part by the “mainstream media” — many of whom may grumble that their budgets, reach and significance have all been eaten by disintermediated creators. “And when you're writing about influencers in a negative way, it's going to get more clicks than when you're talking about them in a positive way,” he says.

«Falhas cem por cento dos remates que não fazes...»

A par da Influencer.com, existe a MVE Management, que Caspar fundou em 2018 com o seu colega de casa e colaborador habitual, Joe Sugg. Fruto de uma parceria com a IMG, a MVE é frequentemente apontada como a primeira empresa a gerir criadores de conteúdos da mesma forma que os talentos mais «tradicionais».

Para um jovem de hoje, a profissão de «criador de conteúdos» deve parecer cada vez mais atrativa. Muitos de nós já selecionamos e partilhamos publicamente aspetos das nossas vidas. Então, porque não tentar receber milhões de libras das marcas enquanto o fazemos? Um estudo realizado no ano passado concluiu que 57% dos jovens da Geração Z escolheriam de bom grado ser «influenciadores» como profissão principal, opinião partilhada por mais de 40% dos adultos em geral. Tendo ele próprio seguido esse caminho, será que Caspar o recomendaria agora a outras pessoas?

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«Acho que saber criar conteúdos é algo que devemos ensinar aos jovens — e não porque queremos que todos se tornem influenciadores», afirma. «Mas acho que isso nos dá voz neste mundo. É assim que hoje chegamos às pessoas. Antigamente, quando nem todos sabiam escrever, quem sabia conseguia transmitir as suas ideias — conseguia convencer as pessoas a juntarem-se à sua causa, conseguia lançar movimentos políticos.»

«Criar conteúdos é, simplesmente, uma excelente escola de negócios»

«Hoje, quem sabe criar conteúdos tem esse poder», afirma. «O que não significa que tenha de o usar para fins políticos. Não significa que tenha de se tornar um grande artista. Mas significa que, se tiver, por exemplo, um salão de cabeleireiro, pode chegar a mais clientes. Sabe como falar com eles. De certa forma, é simplesmente uma excelente escola de negócios.»

Caspar é também cofundador da Creator Ventures, um fundo de capital de risco especializado no setor da Internet de consumo. Nasceu de um sindicato de investimento composto por criadores como Caspar, que investiam nas mesmas condições e com a mesma avaliação que os restantes investidores, mas podiam acrescentar valor graças ao seu conhecimento das redes sociais e às suas comunidades de seguidores. «Sabemos que os fundadores de empresas de Internet de consumo dão muita importância às redes sociais, porque é através delas que atingem verdadeiros pontos de viragem», afirma. Em 2022, Sasha Kaletsky, primo de Caspar e antigo colaborador da Uber e da Bridgepoint, juntou-se-lhe para transformar formalmente o sindicato num fundo de capital de risco, angariando 20 milhões de dólares para o Fundo 1, em 2022, e 45 milhões de dólares para o Fundo 2, este ano. Entre os seus investidores institucionais encontram-se a Level Ventures e a Sequoia Capital, e os seus investimentos de destaque incluem a Runna — a aplicação de treino de corrida baseada em IA, adquirida pela Strava em 2025 — e a Beehiiv, uma concorrente da Substack em crescimento.

Caspar gosta de apoiar fundadores «que definitivamente não sentem que já chegaram lá», afirmou. «Alguém que esteja disposto a suportar a dor e a trabalhar para caralho, porque é isso que é preciso hoje em dia.» Os YouTubers, salienta, aprendem desde cedo o que é trabalhar arduamente. É por isso, considera, que os adolescentes milionários que fizeram fortuna durante a primeira vaga do YouTube acabam muitas vezes por se revelar pessoas sensatas, com os pés assentes na terra e espírito empreendedor, em vez de descarrilarem como, por exemplo, estrelas de rock ou atores que enriqueceram de forma extraordinariamente precoce. No seu próprio caso, talvez o facto de Caspar ter sido um YouTuber extremamente bem-sucedido não seja um mero acaso ou capricho do algoritmo, mas sim fruto do seu caráter. É muito provável que Caspar tivesse sido extremamente produtivo, independentemente da década ou do momento tecnológico em que tivesse nascido. Ele reúne aquela combinação vencedora de sempre: diligente, mas aberto à sorte; com os pés assentes na terra, mas ambicioso.

«Penso muito no ditado “falhamos cem por cento dos remates que não fazemos”», afirma. «É uma frase de que gosto muito. É verdade no capital de risco. Mas o mesmo se aplica a aceitar reuniões e a sair de casa, mesmo quando só nos apetece ficar a ver Netflix. Não sabemos o que vai acontecer nesse dia. Esperemos que seja algo positivo. Por vezes, pode ser negativo. Mas simplesmente não sabemos», diz. «É impossível prever quando é que estas pequenas coisas terão um enorme impacto no resto da nossa vida.»

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Leia a seguir: Gstaad Guy fala sobre riqueza, autoexpressão e gentileza.

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