
27 perguntas a: Martin Kuczmarski
O restaurateur por detrás do The Dover — e agora da brasserie italiana Martino's — fala sobre gelados, falar em público e envelhecer.
- Texto de: Joseph Bullmore
- Fotografia: Barney Curran
O uniforme de Martin Kuczmarksi é um fato azul-marinho, com uma camisola de gola redonda da mesma cor por baixo. Neste sentido, o seu estilo pessoal, diz, é «clássico, quase aborrecido — e sempre pautado pela qualidade». O mesmo se poderá dizer da sua abordagem singular à hospitalidade. Mas não há nela nada de aborrecido. No The Dover, em Mayfair, abriu discretamente um dos restaurantes mais acarinhados de Londres, num estilo simples e clássico. Sem alarido nem artifícios — apenas madeiras requintadas de meados do século, a iluminação na medida certa e comida que apetece realmente comer. A mais simples das receitas — mas a mais difícil de executar. Aqui, Martin fala sobre discursar em público, tostas de três queijos e o romantismo da noite.
Que coisa simples mudou a sua vida da forma mais inesperada?
Talvez não seja uma coisa simples — mas ter-me mudado da Polónia para Itália ainda jovem. Crescer em Itália fez de mim quem sou hoje.
Como é que adormece?
Adoro conforto. Por isso, bons lençóis, uma T-shirt de algodão fino e boxers, magnésio natural e um copo de água. O mais importante: sentir gratidão por conseguir adormecer.
Qual é a melhor cidade do mundo?
Londres. Vivo em Londres há 28 anos, e a cidade está sempre a mudar e a evoluir. Pode fazer tudo ou pode não fazer nada. A escolha é sua.
Qual é o teu insulto preferido?
Acho que seria muito indelicado escrever isto no papel, por isso fiquemos por «c****** de merda».
Para além da terapia, qual é a melhor forma de terapia?
Muitas coisas: ar fresco e exercício físico, falar aberta e honestamente com os entes queridos, ou dois Vodka Martinis e uma garrafa de Super Toscano.
Que conselho gostaria de ter seguido?
«Confie sempre nos seus instintos.» No início da minha carreira, dava ouvidos ao meu lado analítico, mas, à medida que fui envelhecendo, aprendi a escutar aquela voz serena dentro de nós, que é a orientação mais poderosa que podemos ter.
"Um tinto Super Toscano para qualquer noite da semana..."
Tem uniforme?
Adoro azul-marinho, por isso os meus fatos Richard James são todos em diferentes tons de azul-marinho, tal como toda a minha roupa informal.
Qual foi a última música que ouviu?
‘Ma quale idea’, de Pino D’Angiò
Qual é a sua hora preferida do dia ou da noite?
A meio da manhã, por volta das 10/11 horas, ou a qualquer hora depois das 21 horas. Há algo de romântico nos serões.
Qual é o sotaque mais bonito do mundo?
Italiano, mesmo que não fale a língua. É possível compreender as emoções dos italianos através do tom de voz — e, claro, da linguagem corporal.
Qual foi a compra mais extravagante que alguma vez fez?
Há quinze anos, quando nos mudámos para a nossa nova casa, mandei instalar o sistema de som mais moderno da altura, oculto nas paredes e no teto. Funcionou apenas durante uma semana — e para o reparar? Era preciso deitar abaixo as paredes e o teto. Portanto, olhando para trás, foi a pior compra de sempre.
Qual é a melhor bebida do planeta?
Depende da ocasião. Água para todos os dias. Rosé à beira-mar. E um tinto Super Toscano para qualquer noite da semana.
Qual é a melhor coisa de envelhecer?
Trata-se, acima de tudo, de finalmente perceber quem somos, do que gostamos, do que não gostamos, o que amamos, e de conseguirmos gerir o nosso tempo: passá-lo com as pessoas que amamos ou a fazer coisas pelas quais somos apaixonados.
Qual é a sua dica para falar em público?
Tem de estar preparado, saber para quem está a falar, dominar o tema e, acima de tudo, ser genuíno e falar com o coração.
Que citação lhe fica sempre na cabeça?
«Encontre um trabalho de que goste e nunca mais terá de trabalhar.»
Que pequena coisa o irrita desmesuradamente?
Detesto pessoas que dizem que vão fazer algo até uma determinada hora/data e depois não o fazem.
Qual é o brinde que costuma fazer?
Tosta de queijo: mas com três queijos diferentes, molho Worcestershire e pimenta-preta.
Qual é o seu par de sapatos preferido?
Qualquer par da Harry’s London ou da Ferragamo.
Qual é uma coisa pela qual vale sempre a pena pagar mais?
Dentro das suas possibilidades, se puder, deve sempre gastar um pouco mais para adquirir o artigo da melhor qualidade possível.
O que aprendeu com os seus pais?
Trabalhe arduamente e seja humilde em todas as fases da sua vida.
Onde se encontra o melhor hambúrguer do mundo?
Tenho de admitir que, para mim, é o In-N-Out, em Los Angeles.
"Trabalha arduamente e mantém a humildade em todas as fases da tua vida..."
Quem é a pessoa mais interessante que conhece?
A minha mulher, Ruby Hammer. Nunca há um dia monótono.
Como descreveria o seu estilo pessoal?
Clássico, quase a roçar o aborrecido — e sempre pautado pela qualidade.
Qual é a sua sobremesa de eleição?
Gelado italiano: creme e avelã.
A morte de que pessoa famosa mais o afetou?
A morte faz parte das nossas vidas, é algo muito pessoal para cada um de nós e afeta-nos a todos de formas diferentes. Penso que seria injusto mencionar apenas uma pessoa.
Como gostaria de ser recordado?
Como uma pessoa com quem se podia divertir. Mas, acima de tudo, alguém com quem se podia contar.
O que estás ansioso por fazer amanhã?
Todos os dias anseio pelo novo dia que tenho pela frente, pois poder acordar com saúde é uma bênção.
Este artigo foi retirado da edição de outono de 2025 da Gentleman's Journal. Subscreva a Gentleman's Journal agora para receber a edição em sua casa.
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