Um brinde à cerveja com limonada
A celebrar o centenário da bebida gaseificada
- Texto de: Jonathan Wells
Um amigo enviou-me recentemente uma mensagem. Era curta, incisiva e acusava-me de trair as minhas raízes nortenhas (das quais muito me orgulho). Porquê? Porque, numa ida recente ao pub, tive o descaramento — e uma atitude tipicamente sulista — de pedir uma caneca de shandy de cerveja lager.
Disseram-me que isto era simplesmente inaceitável. Mas não quero saber. Quer se seja de Stockton-on-Tees ou de Staines-upon-Thames, nunca há, mesmo nunca nada de errado em pedir uma cerveja com limonada — sobretudo no verão. É mais descontraída do que uma cerveja, mais refrescante do que um Aperol Spritz e mais saborosa do que quase qualquer cerveja bebida simples (pronto, já o dissemos).
E voltamos a dizê-lo. Porque a shandy é uma coisa maravilhosa e efervescente. É um encontro gaseificado entre a juventude e a idade adulta; limonada e cerveja lager unem forças numa celebração de tudo o que é alcoólico e doce. É a sua amiga de teor alcoólico mais leve para a manhã seguinte à noite anterior. É uma caneca — mas mais associada a brunches do que a zaragatas. É beber de dia no seu estado mais efervescente.
Estamos também a aproximar-nos do centenário da bebida. A primeira verdadeira shandy de limonada e cerveja lager foi preparada em 1922, quando Franz Xaver Kugler, proprietário de uma taberna bávara, matou a sede a um bar cheio de ciclistas sedentos, diluindo a sua cerveja. Chamou a esta invenção «Radler» — a palavra alemã para ciclista. O próprio termo «shandy» deriva de «Shandy gaff», uma mistura vitoriana de cerveja e ginger ale.

Mas eu fico-me pela limonada, muito obrigado. E já provei mais do que a minha conta. É que, ao longo dos anos, investi cerveja lager, limonada e tempo a aperfeiçoar esta bebida gaseificada (longe dos olhares críticos dos nortenhos, claro). E há uma certa alquimia na preparação do shandy perfeito. No essencial, é preciso uma base de lager clara — uma Pilsner ou uma Helles — misturada com limonada ou refrigerante de limão e lima. Mas há alguns ajustes certeiros que se podem fazer.
Primeiro, a cerveja. Regra geral, deve procurar um teor alcoólico entre 4% e 5%. E, se quiser manter a receita simples e tradicional, não há melhor do que a Camden Hells. É fácil de encontrar e, apesar do nome, é, na verdade, o resultado da combinação dos estilos Helles e Pilsner. Tem tudo o que se procura numa cerveja com gás.
«É uma colisão gaseificada entre a juventude e a idade adulta...»
Outras alternativas aceitáveis — cada uma com os seus próprios méritos frutados e maltados — incluem a Lost Lager, quase herbal, da BrewDog, a Pils da Five Points e a Helles da Lost & Grounded.
Mas não tem de ser uma lager. As pale ales também podem dar origem a magníficas shandies. Têm um sabor ligeiramente mais intenso e estão repletas de lúpulo — o que pode começar a realçar os tão importantes sabores cítricos antes mesmo de adicionar a limonada. Peça a ale com mais lúpulo que o seu bar de cerveja artesanal ou a sua microcervejeira local tiver para oferecer — e verá que vale a pena. Ou, se não tiver a sorte de viver numa capital da cerveja artesanal, compre algumas garrafas de Meantime London Pale Ale, Sierra Nevada American Pale Ale ou Kernel «Foeder Beer» — uma versão da Belgian Pale Ale, simultaneamente turva e cítrica.
E isto leva-nos à limonada. Ácida e intensa, é ela que compõe metade da sua shandy (a proporção deve ser sempre 50/50) — por isso, vale a pena escolher a melhor. Aconselho sempre a evitar opções demasiado baratas, bem como limonadas com corantes artificiais ou substitutos do açúcar. Também tem de ser gaseificada, embora isso seja evidente. Procure uma limonada com bastante intensidade e ligeiramente turva — isso significa que há mesmo raspa de limão a flutuar, o que dará à sua cerveja um toque extra de polpa.
Há várias opções excelentes neste campo. Fentiman’s Victorian Lemonade, Fever-Tree Sicilian Lemonade e Belvoir Freshly Squeezed Lemonade são todas ótimas escolhas. As latas de «Limonata» da San Pellegrino, com tampa de alumínio, podem ter um aspeto muito estival, mas estão, na verdade, repletas de açúcar e adoçantes que se sobrepõem ao sabor da cerveja. Em vez de latas ou plástico, opte sempre por garrafas de vidro — e o mesmo se aplica à cerveja.
Siga estas regras e preparará sempre o shandy perfeito. Agora vá e experimente por si mesmo — porque chegou o verão do shandy. (Sim, mesmo que seja do Norte).
Quer mais bebidas para preparar este verão? Porque não experimentar um Negroni de Porto Branco…
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