Em louvor da modesta meia garrafa
Porque é que meia garrafa de vinho pode proporcionar tanta diversão? Jonathan Wells investiga o que torna estas pequenas garrafas tão especiais...
- Texto de: Jonathan Wells
Nunca se deve fazer nada pela metade — ou pelo menos é o que dizem. Mas tenho de discordar. Porque meia garrafa de vinho é diversão por inteiro.
E não sou a única pessoa a pensar assim. No ano passado, a Nielsen revelou dados que comprovam que as meias garrafas têm vindo a ganhar imensa popularidade. Só em outubro, as vendas aumentaram 45,5%. Desde 2018, os supermercados têm vindo a disponibilizar cada vez mais vinhos nestas garrafas de menor formato. E George Clements, fundador da comerciante de vinhos londrina The Magnum Company, chegou mesmo a ceder às exigências dos consumidores no início deste ano, quando criou a The Half Bottle Company.
Então, o que têm estas pequenas garrafas de tão especial? Há quem acredite que, desde o confinamento, nos sentimos mais à vontade a beber sozinhos e que, por isso, queremos «garrafas individuais». Outros consideram que isto reflete a mudança geracional no sentido de beber menos. Para mim, porém, tudo se resume à sensação de segurar uma meia garrafa. Se alguma vez teve uma nas mãos, saberá ao que me refiro. Têm um design delicado e o peso perfeito. São 375 mililitros de felicidade encorpada e equilibrada — simultaneamente encantadoras pela sua delicadeza e perigosamente fáceis de beber.
But, because of this smaller size, you’ll never be hit with a hangover. Rather, these compact options will ease you into a sweet spot; the same slightly-buzzed, world-conquering state we achieve, enjoy — and usually overshoot. That won’t happen with a half-bottle. There’s no chance for overindulgence; no risk that you’ll be tricked or tempted into one glass too many.

Na verdade, estas garrafas pequenas não têm nada de pretensioso, triunfalista ou exibicionista — e muito menos a retórica bíblica e moralista associada aos formatos maiores (as garrafas Jeroboão de 4,5 litros, Matusalém de 6 litros, Salmanasar de 9 litros e Baltasar de 12 litros têm todas nomes de antigos reis de Israel).
Além disso, quem é que tem tempo para pedir 15 litros de vinho? Conseguiria beber uma meia garrafa inteira antes sequer de conseguir dizer «Nabucodonosor». Em vez disso, tal como se chama os bois pelos nomes, uma meia é uma meia. É um vinho honesto, daqueles que cumprem exatamente o que diz o pequeno rótulo. Alguns chamam-lhes garrafas «demi», mas são apenas os franceses a chamar un chat un chat. Outros chamam-lhes «splits» (um termo que também pode ser usado para garrafas de um quarto). E é precisamente isso que são: o tamanho ideal para dividir ao jantar ou com um amigo.
"São doses de 375 mililitros de felicidade encorpada e bem equilibrada..."
O champanhe, em particular, beneficia do formato de meia garrafa. Se tiver uma garrafa inteira de Lanson ou Billecart-Salmon a borbulhar no frigorífico, não haverá colher enfiada no gargalo que impeça o gás de se escapar. Com uma meia garrafa, porém, isso nunca será um problema — afinal, quem é que não consegue acabar com uma?
Basta perguntar a Churchill. Famoso por nunca fazer nada pela metade, Winnie tinha uma predileção por meias-garrafas de champanhe comparável ao seu amor por charutos e fatos-macaco. Quando não tomava um pequeno-almoço regado a brandy nem bebia intermináveis copos de uísque com soda, o nosso antigo primeiro-ministro abria às caixas pequenas garrafas do seu estimado Pol Roger. Vertia-as em canecas de prata geladas e bebia-as ao almoço.

Ao longo da vida, estima-se que Churchill tenha consumido 42 000 garrafas da marca francesa (de facto, os registos financeiros do político mostram que, só em 1908, comprou sete dúzias de meias-garrafas de Pol Roger 1895, além de quatro dúzias de meias-garrafas de Pol Roger 1900).
Mas, embora já sejam poucos os embaixadores tão fervorosos da meia garrafa que ainda andam por aí a bebericar, as estatísticas mostram claramente que este formato está novamente a ganhar popularidade e a fazer saltar rolhas. E já não era sem tempo. Até em termos práticos, têm o tamanho perfeito para caber num bolso, o que as torna ideais para festas ao ar livre no parque ou para entrar às escondidas num recinto. São suficientemente pequenas para ficar na mesa de um restaurante, em vez de se equilibrarem precariamente num daqueles baldes de vinho instáveis. E, se hoje convertesse toda a sua coleção em meias garrafas, esta duplicaria imediatamente em tamanho e variedade, fazendo-o sentir-se um gigante na sua própria garrafeira bem recheada.
Claro que reduzir o tamanho também tem algumas desvantagens. Numa garrafa mais pequena, o vinho envelhece mais depressa. Um tinto encorpado e tânico, por exemplo, teria de ser bebido rapidamente. Mas um vinho como o Good Ordinary Claret da Berry Bros & Rudd — delicado por natureza e sempre delicioso — conserva-se perfeitamente numa meia garrafa durante bastante tempo. Além disso, por apenas £6.95 cada, seria uma tolice não levar um par destas garrafas a preço de saldo.
E essa é a última vantagem de uma «demi». Com os preços reduzidos para metade, ou quase, poderá finalmente provar todos os vinhos de colheita de gama alta que sempre sonhou decantar. Está a ver? Fazer as coisas pela metade nunca soube tão bem.
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