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14.08.2026
Issue No 26
By Gentleman's Journal

Os cinco vinhos em que deveria realmente investir agora

  1. Château Rayas (Ródano) e Emidio Pepe (Abruzos)
  2. Domaine Leflaive (Borgonha)
  3. Agrapart (Champanhe)
  4. Château Beau-Séjour Bécot (Bordéus)
  5. Il Poggione (Brunello)
Joseph Bullmore
Words By Joseph Bullmore

Sempre gostei bastante da ideia de investir em vinho, tal como sempre gostei bastante da ideia de investir em gravatas Ferragamo vintage ou em Range Rovers antigos. (Tenho à mão um magnífico P38 «Royal Edition» de 2002, caso alguém queira «investir» e ficar com ele.) Parece-me uma excelente forma de racionalizar os nossos caprichos. E, naturalmente, sempre achei que os clássicos eram a aposta certa — optar por marcas e denominações de renome, testadas e comprovadas, e dificilmente se poderia errar.

Mas a sabedoria convencional nem sempre é assim tão sábia. Esta semana recebi uma mensagem do nosso amigo Tom Gearing, fundador da plataforma de investimento em vinhos Cult Wines, que veio confirmar isso mesmo. «Os nomes mais seguros no mundo dos grandes vinhos já não são uma aposta segura», afirmou. «E os mais interessantes são…»

No seu estudo, a Cult Wines analisou 52 147 vinhos durante o primeiro semestre de 2026. Os cinco «Premier Crus» dividiram-se: o Lafite subiu 2,7%, enquanto o Latour caiu 1,4%. Mas os desempenhos mais notáveis e interessantes vieram de nomes bem distantes das estrelas habituais. Eis, então, os cinco vinhos em que deve realmente investir. Pode agradecer-me mais tarde. E diga-me alguma coisa sobre o Range Rover.

1. Château Rayas (Ródano) e Emidio Pepe (Abruzos)

O mercado da arte sabe há muito o que acontece aos preços quando morre uma lenda, e no vinho não é diferente. Após a morte de Emmanuel Reynaud, o Rayas é o terceiro vinho com melhor desempenho em todo o conjunto de dados da Cult Wine: uma valorização mediana de 6,8% em 25 colheitas, 88% das quais registaram subidas. E o mundo do vinho perdeu outro gigante ainda na semana passada: Emidio Pepe, o grande tradicionalista dos Abruzos, que morreu aos 94 anos. Mesmo antes da sua morte, os seus vinhos já figuravam entre os de melhor desempenho nos nossos dados, com uma valorização de 6% em toda a gama. Se o padrão que impulsionou o Rayas se repetir, esta história está apenas a começar.

Château Rayas (Ródano) e Emidio Pepe (Abruzos)

2. Domaine Leflaive (Borgonha)

Os brancos superaram os tintos em todo o mercado no primeiro semestre do ano, com a Leflaive no topo da tabela. O seu Puligny-Montrachet Clavoillon foi o vinho com melhor desempenho de todo o mercado, registando uma valorização mediana de 7,2% em 21 colheitas, enquanto o Les Pucelles valorizou em 22 das suas 25 colheitas. O principal índice da Borgonha mantém-se estável — mas os seus melhores brancos contrariam alegremente essa tendência.

Domaine Leflaive (Borgonha)

3. Agrapart (Champanhe)

O champanhe tem subido todos os meses desde fevereiro, superando a maior parte de França, e os champanhes de viticultor estão a liderar. A gama da Agrapart valorizou-se 3,1% em termos medianos, com 78% dos seus vinhos em alta, o desempenho mais consistente entre os produtores da região, e uma cuvée disparou 30% numa única transação. A Krug também está em alta, para os leitores que preferem apostar num nome famoso.

Agrapart (Champanhe)

4. Château Beau-Séjour Bécot (Bordéus)

Enquanto os seus vizinhos de Saint-Émilion registam quedas acentuadas (o Pavie caiu 5,1% em 244 transações), o Beau-Séjour Bécot figura entre os nossos quinze principais produtores: subiu 1,8% em termos medianos, com uma série de colheitas recentes excecionalmente bem classificadas que continuam a ser negociadas a preços muito acessíveis. Qualidade, valor e dinamismo num só rótulo — uma combinação mais rara do que seria de esperar.

Château Beau-Séjour Bécot (Bordéus)

5. Il Poggione (Brunello)

A Itália liderou toda a recuperação e esta é a sua expressão mais acessível para compra: uma subida mediana de 4,9% ao longo de 16 colheitas, com mais transações confirmadas do que quase qualquer outro vinho italiano no conjunto de dados. É a prova de que a história de Itália não se resume ao Solaia, com 6%; estende-se até às garrafas que um leitor pode realmente comprar.

Il Poggione (Brunello)