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Os maiores momentos da moda masculina para a Primavera/Verão 2026 na Semana da Moda de Milão

Os maiores momentos da moda masculina para a Primavera/Verão 2026 na Semana da Moda de Milão

De Giorgio Armani e Prada a Dunhill e Paul Smith

Tal como na temporada passada, a Semana da Moda Masculina de Milão para a primavera/verão de 2026 teve um programa um pouco mais reduzido, com marcas como Fendi, Bottega Veneta e Gucci a optarem por desfiles mistos, a realizar durante a semana da moda feminina, em setembro. Nomes como Giorgio Armani, Saul Nash, Prada e Dolce & Gabbana mantiveram o mundo da moda ocupado, tendo até Paul Smith optado por apresentar a sua coleção na cidade italiana. Entretanto, Pal Zileri, Canali e Ralph Lauren Purple Label apresentaram as suas coleções em formato de apresentação, a par de marcas como Church’ e Santoni.

Eis os destaques dos desfiles de Primavera/Verão 2026…

Paul Smith

O designer britânico tem há muito a sua sede em Milão, mas nunca tinha apresentado uma coleção na cidade. Escolheu um edifício imponente, que possui há quase 20 anos, para apresentar a sua coleção Primavera/Verão 2026, que, segundo nos contou, foi uma viagem ao passado, em particular aos mercados do Cairo. «Tudo se baseia num belíssimo livro sobre o Cairo que comprei há muitos anos, há pelo menos 20 anos, provavelmente mais», contou-nos Smith. «É um livro de recordações do Cairo, mas as imagens são tão bonitas, estranhas e um pouco insólitas. Vão de cores profundas e intensas a tons muito, muito vibrantes.»

Esta inspiração foi transposta para a coleção com a mestria que caracteriza Paul Smith, um homem que adora brincar com as cores. Num desfile intimista, ao estilo de um salão, Smith apresentou uma coleção de cores arrojadas, padrões marcantes e tecidos contrastantes, inspirada nos tesouros que encontrou nos mercados do Cairo. A alfaiataria dos anos 50 incluiu casacos curtos e calças de cintura subida, enquanto as colagens, criadas à mão especialmente para a coleção, foram transformadas em estampados arrojados e aplicadas em camisas, peças de exterior e gravatas.

«Queria provar que a alfaiataria continua a ser relevante, mas de uma forma muito moderna», disse-nos Paul. «De certa forma, tudo é conjugado de modo muito confortável, com tecidos de alta qualidade, e as peças têm uma confeção irrepreensível. Também quero que os homens sejam ousados e façam combinações diferentes — misturem texturas, misturem cores. Sejam jovens modernos e não se preocupem com isso.»

Giorgio Armani

Antes da Semana da Moda de Milão, a marca Giorgio Armani anunciou que o estilista da casa não faria a habitual vénia no final dos desfiles da Emporio Armani e da Giorgio Armani. Em seu lugar, Leo Dell’Orco, responsável pela moda masculina, saudaria os convidados no final de cada desfile. Ainda assim, as coleções — em particular a da Giorgio Armani — tinham inequivocamente a marca do Sr. Armani.

Sempre fluida, a silhueta Armani surge renovada, com casacos de trespasse adornados com golas de xaile. Apresentam um abotoamento baixo e um corte mais comprido. A condizer, as calças largas têm pregas em forma de lágrima e estreitam no tornozelo ou caem suavemente, com bainhas generosas, sobre sapatos de camurça, sandálias e botas chukka em tons pastel.

Foi uma coleção clássica de Giorgio Armani, com alguns apontamentos mais divertidos, como porta-chaves usados ao pescoço.

Prada

Realizada, como sempre, no Deposito da Fondazione Prada, a coleção da Prada marcou um recomeço para a marca. «Uma mudança de atitude — desconstruir o significado e desmantelar o poder», lia-se nas notas do desfile. O cenário, habitualmente decorado de forma elaborada, estava despido. Raf Simons e Miuccia Prada, que assinam em conjunto as coleções da Prada, quiseram que esta coleção trouxesse uma lufada de ar fresco em tempos conturbados.

Microcalções usados com camisas foram apresentados a par de fatos de treino justos ao corpo e casacos de trespasse. A coleção transmite uma sensação de evasão e descontração, à medida que o mundo à nossa volta se torna cada vez mais conturbado.

Dunhill

O diretor criativo Simon Holloway inspirou-se em imagens de arquivo de Bryan Ferry, do rei Carlos e de Charlie Watts para a coleção Primavera/Verão 2026 da Dunhill, apresentada num jardim no centro de Milão. «Queria explorar os dois polos do estilo clássico da moda masculina britânica: por um lado, o homem de Windsor, em particular o duque de Windsor e o rei Carlos, e, por outro, os dois reis do rock and roll», contou-nos Holloway. «Somos provavelmente o único país do mundo que tem estes dois polos de referência, que são, no fundo, o rock e a realeza.»

Casacos de automóvel, blazers de condução e trench coats para automobilistas — inspirados no legado Motorities da Casa — surgiram a par de clássicos fatos de passeio em tons de azul-marinho real, roxo e preto, conjugados com acessórios de retrosaria de forte contraste. Os blazers assemelhavam-se aos usados em Wimbledon e no Chelsea Flower Show, enquanto os casacos de pele não teriam destoado nos ombros de Bryan Ferry.

Canali

A coleção Primavera/Verão 2026 da Canali inspira-se nos automóveis de competição Gran Turismo das décadas de 1960 e 1970, prestando homenagem a Monza enquanto parte da região italiana de Brianza.

A coleção exibia uma elegância descontraída e uma sobriedade subtil, com peças de vestuário que evocavam os interiores de automóveis de luxo. Entretanto, a alfaiataria, presente em fatos e blazers, mas também nos emblemáticos trench coats e blusões de camurça Nuvola, apresentava linhas soltas e fluidas. Noutros modelos, o padrão Freccia da Canali — o motivo da seta da marca — surge em jacquard de grande ou pequena escala em polos de malha e camisolas de gola redonda.

A Canali rege-se menos pelas tendências e mais pela forma como as peças se movem, se sentem e podem ser concebidas para durar, e isso ficou aqui evidente.

Ralph Lauren Purple Label

«Para a primavera de 2026, a nossa viagem pelos melhores têxteis do mundo é uma homenagem ao viajante moderno», referiam as notas do desfile de Ralph Lauren. «Do calor terroso do dia ao fascínio sofisticado da noite, cada peça conta uma história de aventura e requinte. Este é um guarda-roupa onde a qualidade se alia à funcionalidade, onde os tecidos artesanais se conjugam harmoniosamente com uma finalidade prática. Esta é a essência do estilo intemporal — onde o saber-fazer se alia ao espírito de aventura.»

Casacos desportivos de trama aberta, malhas descontraídas e texturas de seda e linho, numa sofisticada paleta de tons terrosos — bege, marfim, castanhos e pretos — surgiram lado a lado com luxuosos smokings de seda texturada, inovadores fatos de sarja de seda com padrão Glen plaid e estampados inspirados na Art Déco.

É a coleção perfeita para um estilo que transita do dia para a noite e volta a destacar Ralph Lauren como um mestre nesta arte.

Qasimi

Para a coleção Primavera/Verão 2026 da QASIMI, a terceira sob a direção criativa de Hoor Al-Qasimi, a marca procurou inspiração inicial no seu fundador, o falecido Khalid Al Qasimi. A coleção surge no ano em que a marca assinala o seu 10.º aniversário.

Depois de analisar entrevistas antigas e os arquivos, Hoor Al-Qasimi descobriu que o seu irmão gémeo se tinha descrito como uma «pessoa híbrida», devido à sua educação e formação no Reino Unido. Hoor Al-Qasimi considerou que esta ideia de hibridez se refletia nos membros da equipa que atualmente dirige a marca, pelo que quis criar uma coleção que evocasse e celebrasse a filosofia do diálogo, da cooperação e da compreensão mútua. Camisas de lã de corte clássico são combinadas, de forma interessante, com calças de fato de treino em nylon, enquanto várias peças, sobretudo camisas, têm mangas amovíveis. Algumas camisas, transparentes e com um corte semelhante ao de uma blusa, apresentam uma camada dupla, reforçando uma vez mais a ideia de dualidade.

Church's

A Church’s apresentou a sua nova coleção Primavera/Verão 2026 no prestigiado Piccolo Teatro Studio Melato, em Milão. O grande destaque da coleção foi o icónico modelo Shanghai, criado em 1929 e reinterpretado numa linguagem contemporânea. A marca apresentou ainda os seus mocassins clássicos, bem como modelos mais recentes, como o mocassim Portsmouth.

Brioni

Para a Primavera/Verão de 2026, a Brioni quis apresentar uma coleção centrada na leveza da sua alfaiataria. «Na Brioni, a suavidade significa, essencialmente, que quem veste está em primeiro lugar, enquanto a roupa cumpre a sua função sem se impor nem ser excessivamente vistosa», lia-se nas notas do desfile. A paleta da estação é composta por tons naturais ricos e dessaturados — beges, tons de areia, verdes-claros, azuis e rosas, com um ocasional toque de vermelho-carmesim —, bem como creme, castanho-moca e preto para a noite. Estas cores transmitem uma sensação subtil de italianità: os tons desvanecidos das paisagens e villas romanas sob o sol abrasador.

O vestuário é descontraído e despreocupado, sem deixar de ser primorosamente confecionado para se adaptar às formas do corpo. O casaco Soffio capta o espírito da coleção, enquanto os calções são combinados com camisas a condizer, conferindo leveza ao verão.

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