
Os grandes momentos da moda masculina de outono/inverno 2025 na Semana da Moda de Londres
Da Burberry e da Mithridate de Daniel Fletcher a Simone Rocha
- Texto de: Zak Maoui
Quando o calendário foi anunciado antes do Natal, comentou-se que esta Semana da Moda de Londres, que decorreu de quinta-feira, 20, a terça-feira, 24 de fevereiro, tinha uma programação algo reduzida. É certo que algumas marcas, como a 16Arlington, optaram por não apresentar as suas coleções e que há muito perdemos para Paris as marcas britânicas Alexander McQueen, Stella McCartney e Victoria Beckham, mas ainda assim houve muita coisa boa a acontecer, e a moda masculina, em particular, teve momentos verdadeiramente marcantes.
Da Burberry, que apresentou a sua coleção na segunda-feira à noite, à estreia de Daniel Fletcher na marca chinesa Mithridate, passando por Denzilpatrick, Simone Rocha e Chet Lo, estas foram as marcas que mais se destacaram na moda masculina da temporada Outono/Inverno 2025...
Burberry
Daniel Lee's Spring/Summer 2025 campaign for Burberry was released two weeks ago, and was an all-out celebration of London: a trenched-up Kate Winslet in one of the capital's doorways; Nicholas Hoult and Jodie Turner-Smith hanging out on Southbank and Naomi Campbell taking a black cab ride with an equestrian knight.
Para a coleção de outono/inverno de 2025, apresentou uma produção inteiramente britânica nas Duveen Galleries da imponente Tate Britain, em Londres. Hoult, Turner-Smith e Campbell marcaram presença, tal como Skepta, Brooklyn Beckham, Rosie Huntington-Whiteley, Damien Lewis e Orlando Bloom, entre muitos outros nomes sonantes. Não é propriamente uma surpresa: a Burberry tem um poder sem paralelo entre as marcas no Reino Unido e, estação após estação, atrai multidões de celebridades. Prova disso é que Lesley Manville, Richard E Grant, Sope Dirisu e Jason Isaacs chegaram mesmo a desfilar.
Esta foi a melhor coleção de Daniel Lee até à data. Com dois anos e quatro coleções sazonais (além de outras quatro pré-coleções) no currículo, parecia ter finalmente encontrado o seu rumo. A coleção, que começou com tons discretos — uma homenagem ao tempo sombrio da Grã-Bretanha — e terminou com peças mais elaboradas, como fatos ornamentados de veludo e gabardinas de pele, evocava uma fuga de Londres para o campo. «Pensem neles como pessoas que escapam ao fim de semana», disse Lee sobre as inspirações para a coleção. «É aquele grande êxodo de Londres para o campo à sexta-feira à noite, para dar longos passeios à chuva e desligar-se de tudo ao ar livre. São passeios de um dia a imponentes casas senhoriais.» O castanho Tapestry e o taupe Deer são recorrentes na coleção, assim como tons de vermelho e amarelo punk e os verdes Alder e Maze, inspirados nas memórias do próprio Lee de longas caminhadas pelos Yorkshire Dales.
No que toca às peças de vestuário, os destaques incluem, entre outros, fatos de corte inspirado em Savile Row, confecionados em lã birdseye e bombazina, corsages de cardo presos às lapelas, cachecóis enrolados três vezes à volta do pescoço e rematados com franjas de estilo caricatural, e casacos de caxemira de corte clássico com volumosas golas de xaile em malha. Os casacos surgiram cintados e bem apertados, enquanto uma gabardina de pele em tom de ameixa foi deixada aberta, esvoaçando ao vento — um vento provocado pelos suspiros coletivos de aprovação do público.
S.S. Daley
Para o outono/inverno de 2025, a S.S.Daley, que conta agora com o apoio financeiro de Harry Styles, apresentou uma coleção inspirada no universo envolvente dos coloristas escoceses. Não os conhece? Tratava-se de um grupo artístico conhecido pela ousadia da sua paleta cromática e pelas suas paisagens evocativas, referências que deram origem a uma excelente coleção de formas marcantes e padrões hipnotizantes.
The starting point for Daley was Iona Croft painted in the mid-1920s by Francis Cadell, one of the more prominent members of the group. A cottage scene taken from the work was depicted on knitwear, while Daley's prints were also reflective: warm cream satin was adorned with ambling vines and berries.
As peças mais marcantes da coleção surgiram sob a forma de agasalhos, com blusões Harrington em bege-claro e casacos duffle de lã de corte oversized e ricos em pormenores. A alfaiataria também se destacou, como é habitual em Daley, com fatos de lã preta de abotoamento simples, de corte descontraído, conjugados com gabardinas a condizer.
Denzilpatrick
Fundada em 2021 pelo designer Daniel Gayle e pelo seu parceiro James Bosley, e batizada em homenagem aos avós de Gayle, a Denzilpatrick tem vindo a crescer de forma sustentada e é hoje uma das principais jovens marcas de moda masculina de Londres.
Para o Outono/Inverno de 2025, a marca realizou um desfile em King's Cross, no qual apresentou uma coleção inspirada na figura do cavaleiro tradicional, numa alusão a «um desfile moderno de cavalheirismo e fraternidade». Segundo as notas do desfile da marca, tratava-se de uma exploração «do cavaleiro caído, um híbrido dissonante. Depois da corrida, vitorioso na derrota, renovado». Assim, as peças tinham formas e silhuetas dignas de um cavaleiro, mas estavam muito longe das típicas ferragens metálicas que se esperariam da pequena nobreza inglesa.
Os passa-montanhas de lã macia faziam lembrar o elmo de um cavaleiro, os casacos cinzentos assimétricos apresentavam ombros estruturados e acolchoados, e os fatos exibiam plumas que despontavam das frentes cruzadas com três botões.
Mithridate
Fabricado na China, mas tão tipicamente britânico, é assim que descreveríamos a coleção de estreia de Daniel Fletcher enquanto diretor criativo da Mithridate, a marca de luxo sediada em Xangai, pela qual acaba de se estrear durante a Semana da Moda de Londres.
O moodboard de Fletcher para a sua coleção de moda masculina foi composto por uma seleção de imagens de Mick Jagger nos anos 60, do ator Rupert Everett com uma camisa larga e gravata no drama romântico gay de 1984 «Another Country» e de Nicole Kidman com um fato de saia lápis em 1999. «Bridget Jones, Four Weddings and a Funeral, and todos aqueles filmes de Richard Curtis estavam no moodboard inicial», contou à Gentleman's Journal.
Na coleção, que reflete magistralmente a excentricidade britânica, as calças amplas caem sobre sapatos brogue de biqueira pontiaguda e são conjugadas com camisas Oxford usadas por fora, enquanto camisolas tingidas de verde ácido e malhas entrançadas são colocadas sobre os ombros, à maneira dos alunos de colégios privados como Harrow. Noutros coordenados, os lenços, que se tornaram uma imagem de marca das coleções da própria marca de Fletcher, são cuidadosamente atados atrás do pescoço, caindo com elegância sobre fatos oversized de trespasse duplo. As peças em pele tingida em tom camel são justapostas a blazers de bombazina, que, por sua vez, contrastam com o caráter descontraído dos casacos Harrington. Os casacos de inspiração náutica são rematados com pespontos debruados.
Simone Rocha
Após quase 15 anos a fazer o que melhor sabe, Simone Rocha é um dos grandes nomes da Semana da Moda de Londres, atraindo a imprensa e várias celebridades à apresentação da mais recente coleção da estilista irlandesa. Alexa Chung, Fiona Shaw e Fionn O'Shea desfilaram, enquanto Douglas Booth e Tom Sturridge assistiram na primeira fila.
Para o outono/inverno de 2025, a marca inspirou-se em «A Tartaruga e a Lebre. A névoa dos tempos de escola. Conjuntos de malha retorcidos. Atrás do barracão das bicicletas». Em suma, foi uma coleção de espírito infantil, que apresentou visuais de motociclista rebeldes, bem como outros retratos de personagens adolescentes.
A coleção incluía xailes de pelo sintético semelhantes a lebres, que envolviam confortavelmente o pescoço, enquanto os casacos de pele eram combinados com calções pelo meio da canela e corta-ventos apertados com correntes de bicicleta. A estética fantasiosa das coleções de Rocha continuava presente, mas surgia em contraste com uma nova rebeldia e força expressas através do vestuário, que as notas do desfile descreviam como «sem ligação ao presente, encontrando consolo no seu próprio tempo e espaço».
Chet Lo
Para o Outono/Inverno de 2025, o designer asiático-americano Chet Lo, formado pela Central Saint Martins em 2020, apresentou «Modern Antiquity», uma reinterpretação arrojada da chinoiserie a partir de uma perspetiva asiática. Desapareceram os apontamentos néon em verde-lima e azul-petróleo que seria de esperar da marca, dando lugar a uma coleção mais sombria, que incorporou de novas formas as texturas emblemáticas do designer e os picos de lã merino.
Os fatos exibiam os espigões nas mangas dos casacos, as peças de malha com decote em V eram largas e usadas com gravatas estampadas, e os polos de lã eram sobrepostos. As gravatas apresentavam estampados de tigre, enquanto Lo confronta a história colonialista das interpretações ocidentais da arte asiática, recuperando e transformando estes motivos em algo distintiva e autenticamente asiático.
Leia agora uma entrevista com Daniel Fletcher sobre a sua estreia na Mithridate
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