Entrevista ao fundador: Arthur Kay
O empreendedor e urbanista Arthur Kay está a reinventar a forma como vivemos nas cidades. Através da sua empresa Skyroom e da sua defesa do design sustentável, está a demonstrar que o progresso começa por cima das nossas cabeças.
- Texto de: Gentleman's Journal
Se a carapuça servir…
«Todas as viagens começam com um primeiro passo» é um cliché recorrente no mundo do empreendedorismo. E, como a maioria dos clichés, é também absoluta e inegavelmente verdade. A forma mais rápida e segura de fracassar em qualquer empreendimento é nunca começar, não ultrapassando aquele primeiro obstáculo mental (e, por vezes, físico) que tantos aspirantes a fundadores nunca chegam a transpor. Esta pessoa deu esse passo com determinação, aventurando-se numa área incerta e complexa com uma combinação de coragem e convicção. Aqui, partilha a sua abordagem à criatividade, o que lhe permite manter o otimismo em relação ao futuro e o que significa verdadeiramente progredir.
Apresentamos Arthur Kay
Arthur Kay é urbanista, empresário, académico e consultor de várias organizações dedicadas à construção de cidades sustentáveis, incluindo a Transport for London, a Royal Academy of Engineering e o Innovo Group. Fundou a Skyroom, uma empresa que cria habitações a preços acessíveis no espaço aéreo por cima de edifícios existentes em Londres, e é coautor de Roadkill: Unveiling the True Cost of Our Toxic Relationship with Cars.
O que o levou a criar a Skyroom?
As cidades, como Londres, estão repletas de espaços vazios sobre os telhados (o espaço aéreo acima dos edifícios). Em vez de continuarmos a expandir-nos para a periferia, perguntámo-nos: como podemos aproveitar o espaço aéreo da cidade para criar habitações onde as pessoas realmente precisam delas?
Qual é a missão da Skyroom?
Transformar espaços subutilizados ou «desperdiçados» nas nossas cidades em habitações acessíveis e sustentáveis para trabalhadores essenciais. As cidades só funcionam se as pessoas que as mantêm em funcionamento ainda tiverem condições para nelas viver.
O que o apaixona na construção de cidades sustentáveis?
As cidades moldam a forma como milhares de milhões de pessoas vivem, trabalham e se relacionam. Quando mal planeadas, são poluídas e desiguais. Quando bem planeadas, podem ser lugares incríveis para viver.
Que lição aprendeu no início da sua carreira que continua consigo até hoje?
Na minha primeira start-up, a Bio-bean, aprendi que as ideias arrojadas são importantes, mas que é a persistência e o pragmatismo que geram impacto.


O que significa o progresso para si?
Como tornar as cidades lugares habitáveis, entusiasmantes, seguros, inspiradores, limpos, prósperos e acessíveis para viver? Um ar mais limpo, melhores habitações, deslocações mais curtas e o aproveitamento dos «resíduos» contribuem para comunidades mais felizes e com mais rendimento disponível.
Como se mede o sucesso?
Melhorar a vida nas cidades. Tal como o progresso, pode ser medido de muitas formas, mas tem de ser sentido pelas pessoas que nelas vivem, para além de se refletir nas estatísticas.
Como preservam a vossa visão e os vossos valores à medida que a empresa cresce?
Sendo claros quanto à razão da nossa existência. Mantendo-a clara e simples. O «porquê» não muda, mesmo à medida que os projetos se tornam mais complexos.
Que conselho daria a outros empreendedores que pretendem criar empresas orientadas por uma missão e que gerem mudanças positivas?
Comece por um problema que lhe seja importante, reúna uma equipa que também se preocupe com ele e prepare-se para pensar a longo prazo. Continue a fazer perguntas simples, quase ingénuas. Muitas vezes, são elas que conduzem às melhores ideias.
O seu novo livro explora os impactos ambientais, sociais e económicos negativos da nossa dependência do automóvel. Porque decidiu dedicar-se a esta questão?
Escrevi Roadkill com a eminente antropóloga e filósofa Professora Dame Henrietta Moore. Queríamos mostrar como a nossa dependência dos automóveis nos tem privado silenciosamente de liberdades fundamentais. Essa dependência custou-nos mais do que imaginamos. No livro, explicamos em pormenor como fomos perdendo essas liberdades ao longo do tempo e como podemos trabalhar em conjunto para as recuperar e ampliar.
O que lhe dá esperança no futuro?
«Os jovens de hoje veem o automóvel como uma despesa desnecessária e, em Londres, isso é quase certamente verdade.» Esta afirmação pode parecer improvável vinda de Jeremy Clarkson, do Top Gear. Mas ele tem razão. A posse de automóvel já começa a diminuir entre as gerações mais jovens. Por diversos motivos, optam por andar a pé, de bicicleta e partilhar meios de transporte, em vez de ficarem parados no trânsito. Isso dá-me esperança. Se conseguirmos acelerar esta mudança, as nossas cidades serão lugares mais limpos, seguros e agradáveis para viver.
Por que gostaria de ser recordado?
Por ter ajudado a questionar a nossa relação tóxica com os automóveis.
Qual foi o melhor conselho que já recebeu?
Do meu colaborador e amigo Lewis: «Coloca-te em situações de risco.» Não se inova nem se desafia o status quo jogando sempre pelo seguro.
Para esta Série de Empreendedores, estabelecemos uma parceria com a Allbirds, a marca de calçado sustentável empenhada em fazer melhores produtos de uma forma melhor. A empresa tornou-se uma força disruptiva positiva na indústria do calçado, utilizando lã, fibra de madeira e cana-de-açúcar como alternativas aos materiais sintéticos derivados do petróleo, demasiado comuns neste setor.
No espírito desta inovação, quisemos celebrar um grupo de empreendedores inspiradores que também estão a revolucionar os seus setores e a ter um impacto extraordinário nas respetivas áreas, personificando os valores da Allbirds enquanto usam os seus designs inovadores.





