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Uma ode a La Colombe d’Or

Um longo almoço à sombra de Picasso no mundialmente famoso hotel provençal

Chegámos às 11h. Sentei-me mesmo ao lado de um casal de idosos que provavelmente vivia no hotel durante todo o ano. Pedimos o nosso primeiro copo de vinho branco enquanto víamos um magnata do imobiliário roubar pretzels da taça de uma duquesa sueca, que se ria das piadas de um trovador de cartola, que provavelmente não saía do bar desde o dia anterior. Se alguma vez se perguntarem para onde vão as personagens dos filmes quando o filme acaba, é aqui: La Colombe d’Or.

Paul Roux, o seu fundador na década de 1920, era um amante da arte. Quando bebe de um trago o segundo copo de vinho branco diante de um fresco em cerâmica de Fernand Léger, no terraço, é porque Paul costumava oferecer alojamento e refeições em troca de obras de arte — sobretudo de artistas modestos e sem pretensões como Miró, Braque, Chegal e César. Alexander Calder — antes de instalar um dos seus famosos móbiles diante da piscina — costumava enviar pequenas pinturas pelo correio.

This charming habit, which began during the Second World War when the south of France was a free zone that welcomed artists, has lasted many years. The collection has continued to grow, with pieces signed by the greatest names in the history of art. The most recent work to be deposited was in 2007, by Sean Scully. But it doesn’t feel like you’re in a maniacal collector’s home, where the pieces are protected by a velvet cord. Instead, everything is just there, right in front of you, as if it were yours.

Uma empregada de mesa de uma certa idade — com um carisma capaz de rivalizar com o de Lino Ventura (que, já agora, era cliente habitual) — instala-nos para o almoço. Entrega-nos o famoso cartão colorido — a ementa que praticamente não mudou desde a abertura (à exceção dos preços, claro, escritos a lápis, mas todos eles com marcas de borracha).

Optamos pelos deliciosos rognons à la Provençale e pelo Carré d’Agneau rôti et sa garniture de petits légumes Méditerranéen. Temos de deixar de lado qualquer curiosidade pelo Poussin à la Chipolata (tradução: «franguinho com salsicha») ou pelo Civet de Lapin du Facteur (um «estufado de coelho do carteiro»), para guardar espaço para a famosa tarte da Mère Roux. A receita tem sido transmitida de geração em geração.

Hoje, continuam a ser os descendentes do fundador que protegem — com mão firme e espírito aguerrido — este mítico estabelecimento, impedindo-o de sucumbir à vulgaridade que grassa pela Riviera. Embora o resto da região fique deserto no inverno, a Colombe d’Or está mais viva do que nunca. Na verdade, esta é a melhor altura para a visitar. Pode sentar-se junto à lareira, com as suas formas orgânicas, concebida pelo célebre arquiteto Jacques Couëlle, que conferiu elegância e rusticidade à arquitetura. E pode passear em redor da piscina, tentando adivinhar os grandes artistas por detrás das obras expostas aqui e ali, sem os olhares dos banhistas ou dos que ali vão apenas para dar nas vistas.

Mas tudo o que é bom acaba. Antes de partirmos, à semelhança de Picasso, rabisquei um pequeno desenho num pedaço de papel e estendi-o para pagar a conta. Para minha surpresa, não resultou.

Quer comer num sítio um pouco mais perto de casa? Pois bem, o Maya no Hoxton é de arromba

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