
Perguntas e respostas com Dom Hamdy
Uma conversa de perguntas e respostas discretamente reveladora com o restaurateur Dom Hamdy, numa reflexão sobre família, gastronomia, estilo pessoal e os pequenos rituais que moldam uma vida ponderada no mundo da hospitalidade.
- Texto de: Joseph Bullmore
Um questionário ora incisivo, ora descontraído, para a pessoa cosmopolita dos nossos dias. Nesta edição: Dom Hamdy, o restaurador por detrás do Canal, do Bistro Freddie e do Crispin
Que coisa simples mudou a sua vida da forma mais inesperada?
O nascimento da minha filha. Ninguém nos consegue preparar. Ela é um anjo.
Como é que consegue adormecer?
Dez páginas de um bom livro. Neste momento, estou a ler Without Reservation, de Jeremy King.
Qual é a melhor cidade do mundo?
Apaixonei-me completamente por Atenas. Tem uma energia vibrante e uma cultura gastronómica que me fazem querer voltar sempre. Já lá fui três vezes este ano.
Qual é o teu insulto preferido?
****
Para além da terapia, qual é a melhor forma de terapia?
Trinta minutos a fazer puzzles com o meu filho de dois anos. Ofereceram-nos recentemente A Lagartinha Muito Comilona.
Que podcast costuma recomendar mais frequentemente a alguém?
Fashion Neurosis, de Bella Freud. Bella é encantadora e há algo de infinitamente desarmante nela e na forma como consegue chegar ao íntimo dos seus convidados.
Que conselho gostaria de ter seguido?
Nem todos os conselhos são bons.
Tem uniforme?
Não diria propriamente um uniforme, mas gosto muito de cortes oversized e materiais naturais.
Qual foi a última música que ouviste?
Glass, Concrete & Stone, de David Byrne.
Qual é a sua altura preferida do dia ou da noite?
Adoro a tranquilidade da manhã, antes de o dia começar. É o nosso momento em família.
Qual é o melhor sotaque do mundo?
Dinamarqueses a falar inglês.
Qual foi a compra mais extravagante que alguma vez fez?
O meu tio-avô vivia na Alemanha e tinha um Triumph TR6 de 1971 com volante à direita. Conduziu-o uma última vez até ao Reino Unido (sem avariar) e eu e o meu irmão comprámo-lo. É uma experiência de condução visceral.
Qual é a melhor bebida do planeta?
Borgonha branco.
Qual é a melhor coisa de envelhecer?
A minha família, que não para de crescer
Qual é a sua dica para falar em público?
Verde-chartreuse.
Qual é a sua obra de arte favorita?
Für Ingeborg Bachmann, de Anselm Kiefer.
Que citação lhe fica sempre na cabeça?
«No fim, tudo ficará bem. Se não está tudo bem, é porque ainda não chegou ao fim.»
Que pequena coisa o irrita desmesuradamente?
Os carros novos estão sempre a apitar — são computadores sobre rodas.
Qual é o brinde que costuma fazer?
Branca com uma quantidade perigosa de manteiga.
Qual é o seu par de sapatos preferido?
Os Paraboots são muito versáteis.
Qual é uma coisa pela qual vale sempre a pena pagar mais?
Produtos frescos: ou seja, carne, peixe, fruta e legumes.
O que aprendeu com os seus pais?
Como pôr uma mesa corretamente.
Onde se encontra o melhor hambúrguer do mundo?
Gasoline Grill no aeroporto de Copenhaga. Ao pequeno-almoço.
Quem é a pessoa mais interessante que conhece?
O meu amigo Gabriel Chipperfield tem muitos talentos.
Como descreveria o seu estilo pessoal?
Ponderado.
Qual é a sua sobremesa de eleição?
Haverá algo melhor do que uma tarte de frangipane acabada de fazer, com fruta da época e crème fraîche francês?
A morte de que pessoa famosa mais o afetou?
Philip Seymour Hoffman foi o maior ator do nosso tempo. Que perda.
Como gostaria de ser recordado?
Como um homem de família que criou coisas importantes.
O que espera fazer amanhã?
Nadar.
Continue a explorar a oferta cultural da capital no nosso guia sobre as melhores coisas para fazer em Londres este mês de janeiro.


