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As Pessoas Mais Influentes do Mundo

As Pessoas Mais Influentes do Mundo

Numa era de verdades fragmentadas, poder algorítmico e sobrecarga cultural, a influência já não flui de forma linear, de cima para baixo. Este é um guia definitivo das figuras que moldam a política, a tecnologia, a cultura e as crenças — e do que significa realmente ter influência nos dias de hoje.

A questão da «influência» poderá ser a verdadeira preocupação central do nosso tempo. De que forma somos influenciados pela tecnologia que utilizamos? Quem influencia realmente os assuntos mundiais? Como podemos ter a certeza de que as forças de influência da informação são rigorosas, reais e humanas? Sob a influência de quem agem verdadeiramente os políticos e os detentores do poder da atualidade? E o que irá este influenciador vender-me a seguir? Durante a grande maioria da existência humana, a influência foi linear, coerente, quase direta: uma estrutura de poder (para o bem e para o mal) de cima para baixo; do líder para os liderados. Hoje, numa era digital de capitalismo tardio, em que as culturas e as sociedades estão atomizadas e enfurecidas e em que a informação é avassaladora em volume, mas dececionante em qualidade, tal simplicidade parece um verdadeiro luxo. A lista que se segue procura reunir as pessoas mais influentes do mundo atual, desde os criadores de poder brando até aos quase ditadores. Mas procura também questionar a própria natureza da influência no momento presente — e dar algumas pistas cruciais sobre o rumo que as coisas poderão tomar.

Donald Trump — Presidente dos Estados Unidos da América

Que ondas pôs Barack Obama em movimento com aquela piada inocente, há tantas luas e escândalos, no jantar dos Correspondentes da Casa Branca? Agora, no seu segundo mandato, após um regresso demasiado inevitável, Donald Trump — com o seu inconfundível penteado tão desafiante como sempre — está a compensar a relativa moderação da sua primeira passagem pelo poder, agindo com uma impunidade desenfreada e impondo políticas de mão pesada que vão desde tarifas prejudiciais à economia até à quase invasão de nações soberanas. E, embora a NATO possa desmoronar-se e a Gronelândia possa ser anexada, talvez o legado duradouro de Trump venha a ser o impacto que o seu mandato teve no conceito de verdade: outrora um ideal bastante simples, mas agora, aliado às alucinações da IA, algo escorregadio, fluido e inteiramente mutável. Persiste a ideia de que, quando/se Trump for afastado nas próximas eleições, as coisas começarão a regressar ao «normal». Mas o MAGA não foi tanto uma criação de Donald Trump como algo que ele canalizou — talvez a conclusão inevitável de uma nação que nunca esteve verdadeiramente em paz consigo própria e cuja população ativa enfrenta desigualdades crescentes, valores profundamente divididos e a progressiva corporativização tanto da saúde como da felicidade.

Xi Jinping — Presidente da China

Xi Jinping conquistou o seu poder e influência através de uma acumulação lenta, e não pela força bruta. No poder há mais de uma década, e tendo eliminado os limites de mandatos, é o controlador de facto de quase todos os aspetos da vida chinesa — e, com a rápida industrialização do país, quase exponencial, também de quase tudo o resto. A China representa agora, por si só, cerca de um terço da produção industrial mundial, enquanto a sua presença em Taiwan e no Mar do Sul da China recorda ao mundo a sua influência militar latente. Assim, o poder de Xi desenvolve-se à semelhança das suas infraestruturas: de forma simultaneamente constante e rápida, numa acumulação contínua, em vez de uma exibição pirotécnica — num contraste revelador com o líder mundial que mais claramente ameaça.

Vladimir Putin — Presidente da Rússia

Para Putin, a guerra tornou-se uma política de Estado. Três anos após o início da invasão da Ucrânia, a Rússia reestruturou a sua economia para resistir a longo prazo, relegando as sanções internacionais e a condenação generalizada para mero ruído de fundo — simplesmente o preço a pagar, aos seus olhos, para devolver à Rússia o seu legítimo império histórico e o estatuto que lhe é devido. À medida que o governante pós-soviético se aproxima dos 75 anos, a sua influência sobre a Rússia é quase total (o que faz dele, segundo a estimativa do jornalista Bill Browder, na prática o homem mais rico do mundo) — e, por conseguinte, a sua capacidade de provocar ondas de choque por toda a Europa e pelo mundo continua a ser enorme e, muitas vezes, aterradora.

Narendra Modi — Presidente da Índia

A Índia tem uma população de 1,4 mil milhões de habitantes e é, com larga margem, a grande economia que mais rapidamente cresce no mundo — uma âncora subcontinental para o poderio industrial da China, graças ao controlo de facto que esta exerce sobre a cadeia de abastecimento mundial. Modi mantém-se à frente do país com agilidade e resiliência, equilibrando as relações entre Washington, Moscovo e Pequim com uma destreza extraordinária e a confiança que lhe advém do seu enorme peso demográfico. Poderá o século XXI vir ainda a pertencer à Índia?

Keir Starmer — Primeiro-Ministro do Reino Unido

Embora possa não o sentir no dia a dia, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer continua a ser uma figura extremamente influente no panorama mundial — em certa medida, graças à posição histórica da Grã-Bretanha e à sua «relação especial» com o outro lado do Atlântico; mas também porque, talvez, represente alguma estabilidade e relativa sensatez após vários anos de volatilidade tresloucada e de líderes muito aquém do desejável. Os seus críticos dirão que não se trata tanto de estabilidade, mas antes de imobilismo, e que, por isso, a Grã-Bretanha está lentamente a entrar em declínio — embora os seus defensores apontem a rutura do Brexit como a principal causa da atual estagnação: uma situação da qual talvez só Starmer, com a sua perícia jurídica, nos consiga tirar cuidadosamente.

Claudia Sheinbaum — Presidente do México

Sheinbaum é física de formação e, por isso, está habituada a contemplar simultaneamente o infinitamente grande e o infinitamente pequeno — algo que poderá ser útil numa nação em plena expansão, com 130 milhões de habitantes, mas que continua a enfrentar problemas estruturais no quotidiano. Primeira mulher a presidir ao país, Sheinbaum acompanha agora o aumento das receitas provenientes da externalização dos Estados Unidos, a norte — ao mesmo tempo que procura, de forma pragmática, melhorar um país assolado tanto pela violência dos cartéis como pelas pressões climáticas.

Javier Milei — Presidente da Argentina

Em 2019, o atual Presidente da Argentina apareceu na Comic-Con de Buenos Aires vestido com o traje preto e dourado do seu alter ego: um super-herói anarcocapitalista chamado «General Ancap». Agora, vários anos depois, a personalidade televisiva que se tornou político lidera o seu país com uma postura igualmente radical — limitando os poderes do Estado, reduzindo drasticamente os subsídios, flexibilizando os controlos cambiais e procurando obter a aprovação do FMI. E, embora a inflação tenha descido após um período aterrador em que atingiu valores de três dígitos, as dificuldades económicas dos seus cidadãos continuam a ser graves — enquanto a sua imagem e o seu estilo singulares transmitem ao mundo a mensagem de que a excentricidade poderá ainda ser o fator decisivo nas urnas da nossa era.

Ursula von der Leyen — Presidente da Comissão Europeia

A rainha do poder europeu parece ser o arquétipo de uma líder burocrática: reguladora, discreta, calma e serenamente firme. Sob a sua liderança, porém, os mercados digitais, as regras relativas à IA e as normas climáticas elaboradas em Bruxelas repercutiram-se à escala mundial, demonstrando que o bloco europeu continua a ser uma força de enorme peso no comércio e na política globais. Estável, prudente e metódica, a sua recente reeleição constitui um poderoso contraponto aos protagonistas mundiais mais radicais da atualidade.

Benjamin Netanyahu — Primeiro-Ministro de Israel

Num contexto de guerra em Gaza, pressão internacional e protestos internos, a longa liderança de Netanyahu está agora a pôr à prova os limites da resistência, tanto a nível pessoal como nacional. As decisões e os atos de desafio do líder israelita têm repercussões perigosas em toda a região, mas também no mundo em geral — nos preços do petróleo, nas questões de estabilidade e nas considerações sobre soberania, controlo e humanidade.

Tedros Adhanom Ghebreyesus — Diretor-Geral da OMS

É bem possível que, no futuro, a pandemia mundial de coronavírus seja recordada como o acontecimento que marcou o início deste século. Ou, pelo menos, até surgir a próxima. Nesta perspetiva, o Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde é talvez a figura mais crucial do planeta — responsável por uma missão quase impossível que, ainda assim, tem de ser desempenhada com determinação, dados e, em última análise, capacidade de persuasão.

Greta Thunberg — Ativista climática

Thunberg continua a ser a referência humana incontornável e duradoura do discurso climático — uma pressão quase inimaginável para alguém relativamente tão jovem. A inequívoca clareza moral da ativista e a sua recusa em aceitar que as decisões políticas sejam desvirtuadas levaram várias figuras do poder a retratá-la como uma antagonista. Mas, tendo sido 2025 o ano mais quente de que há registo, é difícil não concordar que a sua mensagem tem de ser ouvida.

Zohran Mamdani — Presidente da Câmara de Nova Iorque

A eleição de Mamdani para a presidência da Câmara de Nova Iorque foi verdadeiramente notável — o mais jovem a ocupar o cargo de que há memória; o candidato improvável vindo de fora do sistema, cujo carisma, energia e clareza pareciam, ainda assim, estar em sintonia com o espírito da época naquela que é, possivelmente, a cidade mais importante do mundo. Mas foi o inesperado momento de cumplicidade de Mamdani com Trump na Sala Oval que deixou antever uma influência ainda maior no futuro — talvez como uma figura de relevância internacional e de pragmatismo capaz de transpor divisões partidárias.

Elon Musk — Proprietário da X, da Tesla e da SpaceX

O seu idílio na Sala Oval já terminou há muito (embora as tensões pareçam estar a diminuir nessa frente), mas Musk continua a ser uma força poderosa na esfera da influência global — o pioneiro dos veículos elétricos, o favorito na nova corrida espacial e o comandante de uma rede social em ebulição que foi significativamente reconfigurada à sua imagem (e, cada vez mais, à da sua criação de IA, o Grok.)

Sam Altman — CEO da OpenAI

Como pode ter a certeza de que este artigo não foi escrito no ChatGPT? O facto de tal pergunta poder sequer ser colocada (e de ser cada vez mais difícil responder-lhe) deve-se ao trabalho pioneiro da OpenAi, indiscutivelmente o interveniente mais influente nesta nova vaga de influência. A presença serena de Altman (ainda que ligeiramente esotérica) no topo do setor da IA será, assim, a força orientadora de grande parte do mundo — um mundo cujos sistemas e processos estão agora a mudar rapidamente, quer isso nos agrade ou não.

Mark Zuckerberg — CEO da Meta

O Facebook muda a forma das eleições; o Instagram muda a forma dos rostos. É difícil pensar numa figura que tenha feito mais para influenciar o mundo na última década do que Zuckerberg, cuja empresa molda (e rentabiliza) tudo, desde a opinião sobre a atualidade até aos padrões de beleza. Trata-se, pois, de uma combinação de poder brando e poder duro — que se torna ainda mais poderosa por estar presente nos nossos bolsos, todos os dias.

Jensen Huang — CEO da NVIDIA

Os chips da NVIDIA tornaram-se o ponto de estrangulamento pelo qual o boom da IA tem de passar: um statu quo inesperado que elevou as receitas e a valorização da empresa a máximos históricos e recordou ao mundo que o hardware é, na verdade, o poder supremo — ou, pelo menos, o seu fator limitativo. A liderança de Huang moldará, assim, a próxima década de crescimento e de evolução tecnológica, e até as políticas a nível mundial — um império vasto e determinante construído sobre minúsculas lâminas de silício.

Sundar Pichai — CEO da Google

Parece perfeitamente natural que a empresa sinónimo de pesquisa devesse ter assumido um papel de liderança na Inteligência Artificial — mas a Google, em muitos aspetos, ficou para trás neste domínio. Contudo, graças aos esforços redobrados de Pichai, o motor Gemini da empresa parece destinado a tornar-se uma força verdadeiramente influente no futuro — enquanto o presente (e a forma como o percecionamos) é constantemente moldado pelos ajustes algorítmicos e pelos muitos e longos tentáculos do império Google.

Satya Nadella — CEO da Microsoft

Nadella supervisionou uma recuperação notável da Microsoft, apostando sensatamente na computação na nuvem e acompanhando o avanço da IA. Este é o papel que a tecnológica pioneira assumiu agora que atingiu a maturidade: não o do radicalismo e dos grandes títulos, mas o da tomada de decisões pragmáticas, da integração subtil e de uma cooperação de grande alcance. Será que o «soft» de Microsoft significa agora soft power?

Larry Fink — CEO da BlackRock

A Blackrock gere mais de 10 biliões de dólares — um valor quase inimaginável que confere ao seu CEO de longa data uma enorme influência sobre os mercados, as empresas e até as políticas governamentais, desde o clima às grandes tecnológicas. Fink assumiu agora também as rédeas do Fórum Económico Mundial de Davos, tornando-se, na prática, o rei dos reis.

Dario Amodei — CEO da Anthropic

Será Dario Amodei o homem mais sereno da sala? Enquanto a corrida ao armamento de IA ameaça ficar fora de controlo, o CEO da Anthropic defende, de forma ponderada, sistemas que funcionem a um nível muito mais humano — dando prioridade à naturalidade, à interpretabilidade e, em última análise, a salvaguardas e restrições. Que importância poderá vir a ter esta visão do mundo daqui a dez, vinte ou trinta anos?

Alex Karp — CEO da Palantir

O software da Palantir está agora presente em todos os domínios da tomada de decisões ao nível do Estado — da logística militar à análise de informações e à modelação de dados. Figura contracorrente (e por vezes excêntrica), o seu líder, Karp, apresenta-se como uma espécie de rei-filósofo da era da vigilância, a quem cada vez mais líderes recorrerão para obter análises sobre o lado obscuro do Estado — ainda que alguns afirmem que o preço mais abrangente é a nossa privacidade pessoal.

Lisa Su — CEO da AMD

Outra fabricante de chips que, mais do que ter apanhado o comboio da IA, tem sido os carris sobre os quais este agora avança a toda a velocidade. Sob a liderança de Su, a sorte da AMD mudou rapidamente: a empresa de hardware passou de concorrente secundária a protagonista — e o preço das suas ações aumentou mais de 50 vezes em poucos anos. Engenheira de formação, Su compreende a importância de construir tudo de raiz e de acertar nos fundamentos: diz-se que, quando os protótipos de chips chegam da fábrica, visita frequentemente o laboratório em pessoa para os examinar minuciosamente.

Demis Hassabis — CEO da DeepMind

Enquanto muitas empresas tecnológicas e de IA procuram desesperadamente encontrar aplicações (ou talvez formas de rentabilização) para a inteligência artificial, a obsessão da DeepMind é compreender a própria natureza da inteligência. Isto levou-a a explorar caminhos interessantes e importantes — como a criação de um computador capaz de vencer seres humanos no Go, o jogo mais complexo conhecido pelo homem; e a invenção do AlphaFold, um sistema de IA que prevê com precisão as estruturas das proteínas e pelo qual Hassabis recebeu um Prémio Nobel em 2024.

Taylor Swift — Cantora e compositora

A recente digressão Eras de Swift foi, sem dúvida, uma digressão para a história: a primeira de sempre a ultrapassar os 2 mil milhões de dólares em receitas de bilheteira, com mais de 10 milhões de espectadores em todo o mundo — números que mais do que duplicaram o recorde até então. Neste sentido, ela constitui uma espécie de economia ou indústria por si só — enquanto o interesse constante pela sua vida pessoal (alimentado pelas letras enigmáticas e incisivas dos seus álbuns campeões de vendas) lhe confere uma omnipresença cultural que parece pertencer a outra época.

Oprah Winfrey — Executiva dos Media e Filantropa

É talvez uma prova da influência duradoura de Winfrey (e também daquilo a que os Estados Unidos dão valor) o facto de o seu nome ser referido como possível candidata em quase todas as grandes eleições nos Estados Unidos. O seu poder de grande alcance — ainda hoje, mesmo num mundo atomizado — é notável, com uma proeminência cultural que muitas vezes se converte habilmente em influência política ou ativista, em causas que vão da educação à ajuda humanitária em situações de catástrofe e à igualdade.

Ed Sheeran — Cantor e compositor

O rapaz ruivo de Suffolk poderá ainda vir a revelar-se a melhor exportação do Reino Unido: um artista cujas canções acumulam centenas de milhares de milhões de reproduções, cujas digressões recordistas só são superadas pelas da imbatível Swift e cujas letras conseguem, de algum modo, ser simultaneamente íntimas e universais. Compositor de muitos outros artistas de renome, Sheeran exerce, através das suas melodias e sensibilidade, uma influência que chega diariamente a milhares de milhões de pessoas.

Scarlett Johansson — Atriz

Frequentemente apontada como a atriz mais bem paga do mundo, Johansson soube transformar o seu estatuto de musa do cinema independente no enorme poder de bilheteira do omnipotente universo Marvel. Mas é o seu ativismo menos reconhecido fora do ecrã que a distingue entre o brilho de Hollywood — um trabalho centrado tanto nos direitos dos atores, criadores e trabalhadores (quão importantes serão na era da IA?) como nas questões de igualdade de género.

Charli XCX — Cantora e compositora

Definir um momento cultural é uma coisa; definir uma cor inteiramente nova é outra. Durante algum tempo, parecia que o mundo inteiro dançava sob a influência inebriante e arrebatadora da estrela de Brat, cuja honestidade e individualismo encontraram verdadeira ressonância junto das pessoas numa época de monotonia algorítmica. Agora, a apostar tanto no cinema como na música, Charli XCX prepara-se para ser uma força dominante (e agradavelmente autêntica) na cultura num futuro próximo.

Rosalía — Cantora e compositora

Ao fundir as raízes do flamenco com sonoridades urbanas e experimentais, a grande força de Rosalía tem residido em levar a riqueza da cultura espanhola a um público global. O seu recente (incrivelmente bem-sucedido) álbum foi aclamado como um marco não só da música latino-americana, mas também da música pop em geral — experimental, mas acessível; grandioso e vasto, mas pessoal. Um farol de singularidade num mundo criativo que, demasiadas vezes, tende a optar pelo caminho mais seguro.

Kendrick Lamar — Rapper

A atuação de Lamar no Super Bowl, que fez parar a Internet consolidou-o como o rei moderno do rap, após um verão de omnipresença cultural que nos recordou a todos o estranho poder unificador das rivalidades. A sua música consegue a rara proeza de ser simultaneamente alta literatura e música pop irresistível — cativante e contagiante, marcante e profunda, e muitas vezes carregada de significado político.

Miuccia Prada — Estilista

Talvez a mais influente criadora de tendências de estilo do seu tempo, Miuccia Prada tem usado o seu rigoroso olhar estético para garantir que a elegância, o calor e a vitalidade perduram no mundo por vezes demasiado sério e austero das passerelles. Líder mundial em tendências e gostos — e, por conseguinte, na forma como as pessoas gastam o dinheiro que tanto lhes custou a ganhar —, a sua influência discreta estende-se à mais elevada e inefável das esferas: a perceção que cada indivíduo tem do seu estatuto, capital social e, em última análise, personalidade.

Joe Rogan — Podcaster

Para o bem ou para o mal, Rogan é uma espécie de fazedor de reis dos tempos modernos, cuja influência inegável sobre o vasto e efervescente imaginário americano fez dele uma figura que desperta curiosidade, admiração — e, muitas vezes, controvérsia. Sendo sistematicamente o podcaster com melhor desempenho a nível mundial, Rogan é visto por muitos como uma indústria de um homem só, cujas conversas de formato longo dão voz a pessoas e às suas perspetivas, com um impacto cultural com o qual os meios de comunicação tradicionais muito raramente conseguem competir.

David Attenborough — Naturalista

Com aquela voz sábia, ancestral e inconfundível, por vezes parece que Attenborough fala em nome do próprio planeta — e que, ao fazê-lo, defende de forma comovente a continuidade da sua existência. Os seus extraordinários filmes sobre a natureza e o ambiente contribuíram, mais do que os de quase qualquer outra pessoa, para moldar tanto as consciências individuais como as políticas governamentais — concretizações pungentes e poderosas do duradouro lema da BBC: «informar, educar e entreter.»

David Beckham — Antigo futebolista

Beckham sempre foi um mestre da autopromoção, com uma personalidade distinta (e um talento impressionante) em campo que fazia parecer que estava destinado a feitos ainda maiores fora dele. Sendo uma das metades daquele que é seguramente o casal mais influente da Grã-Bretanha, mantém uma presença duradoura na vida pública e cultural — enquanto o facto de ser proprietário do Inter Miami FC significa que tem desempenhado um papel fundamental na ascensão do futebol nos EUA. Adorado pelas marcas e sem receio de se transformar a si próprio num produto, Beckham é provavelmente o ex-futebolista mais influente do planeta.

Lionel Messi — Futebolista

Será que os livros de história irão consagrar Messi como o melhor futebolista de todos os tempos? Com uma extraordinária vitória no Campeonato do Mundo já no currículo e uma vitrina repleta de troféus conquistados ao serviço do FC Barcelona, é difícil contestar a sua supremacia (embora haja um homem que, como veremos, certamente o faria). Mas a forma como Messi joga parece quase mais importante do que aquilo que alcançou — o jogador mais habilidoso e mágico de sempre; uma figura de criatividade inesgotável, cuja baixa estatura era uma força, não uma fraqueza, e cuja enorme determinação e energia o tornam absolutamente irresistível de ver. (E, se quisermos olhar para a questão de forma mercenária, também absolutamente irresistível para anunciantes e marcas.)

Cristiano Ronaldo — Futebolista

Poderá haver dois melhores de sempre? O debate sobre o maior futebolista de todos os tempos continuará aceso muito depois de Ronaldo (e do seu rival Messi) se retirar — um testemunho do domínio incontestável do jogador português no desporto mais popular do mundo. Entretanto, o seu alcance fora dos relvados é, literalmente, incomparável: não é apenas o desportista com mais seguidores nas redes sociais em todo o planeta — é a pessoa com mais seguidores, ponto final.

LeBron James — Jogador de basquetebol e empresário

Chamam-lhe King James — um gigante dos campos em todos os sentidos. Vencedor nato, LeBron continua a somar títulos de campeão — bem como êxitos no mundo empresarial, nomeadamente no universo ferozmente competitivo do streaming. Com uma voz poderosa que molda os debates sobre justiça social, consumo de conteúdos e iniciativas para os jovens, está a afirmar-se como uma figura verdadeiramente régia, cuja influência perdurará muito para além do tempo que passar em campo.

Simone Biles — Ginasta

Biles é a ginasta mais medalhada da história, contando com mais de 40 medalhas conquistadas em Campeonatos do Mundo e Jogos Olímpicos. A sua influência faz-se sentir nos vários movimentos e manobras revolucionários que receberam o seu nome, sem dúvida — mas também na sua defesa firme e contínua da saúde mental: uma figura marcante que está a moldar a nossa compreensão dos limites humanos, tanto físicos como mentais.

Serena Williams — Antiga tenista

Vinte e três títulos de singulares em torneios do Grand Slam; 14 títulos de pares femininos; quatro medalhas de ouro olímpicas; e um recorde de 186 semanas consecutivas no topo do ranking da WTA — Serena (e basta o primeiro nome, como acontece com todos os verdadeiros grandes) é uma autêntica gigante da modalidade. Mudou triunfalmente a forma como o jogo é disputado, graças à sua extraordinária resistência e ao seu serviço poderoso — mas também a forma como é visto, aliando uma confiança inabalável a uma competitividade feroz. Agora retirada, não há dúvida de que continuará a somar êxitos também fora dos courts.

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